Horse Girl, dirigido por Jeff Baena, estreou a 7 de fevereiro. O filme conta a história de Sarah, uma mulher meiga, apaixonada por arte e cavalos, que vê os seus sonhos atrapalharem a realidade. Para além da ótima cinematografia, a produção agarra-nos pela estranheza e suspense que espalha.

A protagonista vive apenas para o trabalho na loja de artes plásticas, o seu cavalo Willow e a série de ficção Purgatório. Os sonhos de Sarah começam, no entanto, a confundir-se com a realidade: sonâmbula, sai de casa, perde a noção do tempo e sonha com pessoas que nunca viu. Influenciada por Purgatório, a jovem acredita que é um clone da sua avó e que foi raptada por aliens.

Horse Girl

Estranheza e incompreensão são as palavras que melhor descrevem Horse Girl. Não no mau sentido, até muito pelo contrário. A atmosfera criada é de tal modo confusa e surreal que nos remete exatamente para a própria situação que a personagem principal, sem entender, está a viver: esquizofrenia paranoide. Apesar de não entendermos logo à partida o que se está a passar, se é ficção ou não, a longa-metragem convida-nos a ver o mundo pelos olhos de alguém com um transtorno mental e a forma como começa a explorá-lo.

Alison Brie é a grande estrela deste filme. A atriz transmite a amabilidade e inocência, mas também a crença e obsessão de Sarah de uma forma exemplar. Em cada cena, sentem-se todas as emoções da personagem, o que nos aproxima da sua realidade. E, para além de protagonista, Brie incorporou também o papel de argumentista e produtora, o que a torna, assim, numa tripla ameaça.

Horse Girl

Mais do que a interpretação, é de se elogiar a cinematografia. As transições entre cenas são feitas suavemente e tornam o visionamento muito mais agradável. Além disso, a paleta de cores selecionada mostra-nos duas versões de Sarah. O azul acinzentado ocupa os momentos de lucidez e solidão; a cor pêssego, uma cor que, no início, uma personagem diz ter uma “energia protetora”, mostra, no fim, o lado menos lúcido da protagonista e, ao mesmo tempo, a proteção que sente com esta nova realidade.

A música é também um elemento bem concretizado nesta obra. Há momentos onde a banda sonora está de tal maneira sincronizada com os movimentos da personagem que parece uma dança. Para além disso, o uso de instrumentais ajuda a intensificar as emoções de uma cena, como, por exemplo, o toque acelerado de bateria para um momento de extrema loucura.

Horse Girl é, portanto, um filme muito cativante e criativo no modo como retrata uma realidade tão esquecida. Desde a representação à música, a produção é, sem dúvida, uma boa surpresa.