Jexi estreou a 25 de dezembro em Portugal e não se tornou numa comédia com um futuro memorável. A longa-metragem mostra uma visão irónica e atual da sociedade, que acaba, no entanto, por errar enquanto obra cinematográfica.

Jon Lucas e Scott Moore apresentam um filme que pretende revelar e explicar, de forma satírica, a interligação maníaca e inquebrável entre o Homem e o seu tão precioso telemóvel. Esta relação é exemplificada com uma história enfadonha, seca e previsível. O trailer exibido cria uma ilusão apelativa mas, quando se vê o trabalho, é só mais do mesmo: uma comédia entediante e presumível.

Jexi

O protagonista é Phill, um rapaz completamente obcecado com o seu telemóvel, mas que se vê obrigado a confrontar a realidade e aquilo que a compõe, ao apaixonar-se por Cate. Porém, face a este relacionamento e com o intuito de melhorar a vida do jovem, Jexi, uma espécie de Siri, passa a controla-lo e a manipula-lo.

A comédia não chega evidentemente a coexistir ou transpor as expectativas do espectador. Fica, pelo contrário, muito abaixo da média exigida. A história desenvolve-se apressadamente, com personagens desajustadas, assentes num humor pobre, ultrapassado e despropositado.

Phill, o jovem tímido, inocente e introvertido é apresentado inconvenientemente pelo quase-quarentão Adam Devine. Ao contrário de outros papéis que o ator protagonizou, esta personagem passa-lhe completamente ao lado no que toca ao fazer rir. A performance e o caracter humorístico ficam aquém do nexo requerido e a comédia perde-se inteiramente. Adam Devine desajusta-se completamente.

Jexi

Em contraste com esta figura central, temos duas outras personagens que colidem propositadamente com a personalidade de Phill: a Jexi (Rose Byrne) e Cate
(Alexandra Shipp). O programa de inteligência artificial exibe-se estridente, agressiva, extrema e exigente, em oposição do que seria de esperar pelo pobre rapaz. Por outro lado, Cate é a personagem definitivamente melhor executada, sem muitos mecanismos: viva, livre, alegre e desprendida de qualquer objeto tecnológico.

A narrativa explora as mudanças que o protagonista sofre quando se apercebe do que o rodeia, inclusive quando colide com o amor, por se afastar do seu telemóvel. O romance é razoável, mas o cómico desilude. A tentativa de espelhar os dias atuais – o vício tecnológico – é levada a um extremo exagerado. Os realizadores pretendem demonstrar os nocivos estilos de vida, mas acabam por apenas os ridicularizar e tornam a forçada transmissão de uma moral. Assim, a mensagem não é passada e o espectador só se aborrece.

A banda sonora juvenil tende a acompanhar a vivacidade e o suposto entusiasmo dos momentos. No entanto, os zooms desajustados, durante toda a longa-metragem, não coincidem bem e acabam por denegrir o último ponto.

Jexi ostenta-se grandiosa, mas desconcerta-se perfeitamente. As expectativas foram abatidas e não de uma forma positiva. O resultado é apenas um filme barato.