Ator e argumentista, Tozé Martinho faleceu este domingo, dia 16 de fevereiro, com 72 anos, depois de uma paragem cardiorrespiratória, no hospital de Cascais. O homem que se fez exemplo para muitos argumentistas e se destacou como protagonista na indústria das telenovelas deixa uma criação impactante na televisão portuguesa.

Nascido em 1947, só quando se fez adulto é que rumou à profissão que o caracteriza. Tentou o lado da medicina do pai, mas apaixonou-se pelo lado do cinema da mãe. Antes de se dedicar exclusivamente à sua verdadeira arte, o português viu-se cavaleiro tauromáquico e saltitou entre cursos: Medicina Veterinária, Economia e Direito. Porém, o último foi o único que conseguiu realmente acabar. Só depois se tornou ator e, mais tarde, argumentista.

Tozé Martinho

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Tozé Martinho estreou-se nos ecrãs em 1982, na primeira telenovela de Portugal Vila Faia, onde interpretou o inspetor Silveira. Gente Fina É Outra Coisa (1982), Sétimo Direito (1988), Os Homens da Segurança (1988), Grande Mentira (1990), Verão Quente (1993-1994), Todo o Tempo do Mundo (1999-200), Baía da Mulheres (2004-2005), Louco Amor (2012-2013) e Sara (2018), são outras obras cinematográficas em que deixou a sua marca enquanto ator, não só na RTP, como na TVI.

A sua carreira de argumentista iniciou-se 13 anos mais tarde da sua estreia em televisão, com Roseira Brava (1995). Desde então, o português constituiu muitos mais guiões: Vidas de Sal (1996), A Grande Aposta (1997), Amanhecer (2002), Dei-te Quase Tudo (2005) e A Outra (2008).

Para além da sua presença nos ecrãs nacionais, Tozé Martinho integrou equipas de atores em filmes estrangeiros. Entre estes destacam-se La Guérilléra (1982), Tricheurs (1984) e Contrainte par Corps (1988).

Não se deixando restringir pelos olhares das séries e novelas, também foi diretor de produção na sociedade Atlântica Estúdios, diretor de programas da RTP em Newark, New Jersey, e escritor. Para além do seu rasto de argumentos, presenteou Portugal com o conto Coisas do Dinheiro (2003) e o romance Dá-me Apenas Um Beijo (2003).