Selena Gomez é uma figura conhecida desde muito nova. Desde a série infantil “Barney & Friends”, até à carreira a solo, passando por “Os Feiticeiros de Waverly Place”, foi conquistando fama e uma legião de fãs.

Contudo, estar nas luzes da ribalta pode ser prejudicial para a saúde física e mental. Rare, o terceiro álbum da cantora, é precisamente uma ode à saúde mental, ao amor próprio e bem-estar pessoal.

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A primeira faixa dá nome ao álbum e de certa forma resume toda a ideia deste. “Rare” tem um onda dos anos 70/80, o que a torna muito interessante. A nível de conteúdo lírico, retrata o amor próprio e a beleza de ser diferente e não “encaixar” com a multidão e perceber que ser único é definitivamente uma virtude. De facto, este deve ter sido um sentimento muito presente na vida de Selena Gomez devido à sua fama precoce.

A música de estilo Electro-Pop, “Dance Again”, dá a sensação de estarmos numa discoteca a dançar. Aqui sente-se o desejo de ser livre e poder simplesmente dançar e divertir-se. De um ponto de vista mais profundo, mostra a forma como se sente confortável e confiante no próprio corpo.

Como não podia deixar de ser referido neste projeto, Justin Bieber é o destinatário de um dos singles chamado “Look At Her Now”. Após um relacionamento turbulento, quando as duas pessoas se cruzam novamente, parecem estranhas. Então, Selena Gomez quis mostrar que se sente melhor que nunca após esta separação. A batida que apresenta é, no entanto, aquilo que mais cativa o ouvinte graças ao ritmo peculiar.

O single principal de Rare é algo emotivo de se ouvir. “Lose You To Love Me” é um hino ao amor próprio, mas de uma forma melancólica. A letra fala sobre a necessidade de cortar relações com uma certa pessoa de forma a restaurar a confiança em si própria. Dirige-se em algumas partes à sua história com Justin Bieber. Nomeadamente ao facto de se ter juntado e casado com Hailey Baldwin, poucos meses depois de terminar com Selena. Apesar de se sentir o sofrimento que a cantora passou, é das melhores, senão a melhor, do conjunto.

“Vulnerable” é uma música Pop clássica. Aborda o medo de mostrar sentimentos e fraquezas a outra pessoa. Gomez questiona se esta confiança pode existir de forma a que o amor consiga florescer. Relembra bastante o estilo de músicas que cantava na banda Selena Gomez and The Scene.

Com “People You Know” o sentimento de nostalgia invade-nos. A cantora de origem mexicana conta como algumas pessoas passam pela nossa vida e depressa desaparecem, passando a ser pessoas estranhas. Não gosta deste sentimento, então o que pretende mostrar é que devemos dar mais valor às pessoas e aproveitar o tempo, antes que desapareçam.

A nona faixa do projeto é uma colaboração com 6Black. “Crowded Room” tem uma conotação R&B, que já conhecíamos de músicas anteriores, como “Fetish”, com Gucci Mane, e “Good For You”, com A$AP Rocky. É um estilo que assenta bem em Selena Gomez.

O facto de o amor ser um género de uma droga sem a qual não se consegue viver é um tema já muito usado em música. É o caso de “Fun”, em que a artista menciona constantemente termos como médicos, medicação, receitas médicas, tudo para mostrar, de forma metafórica, que a “droga” que consome não lhe faz bem. Contudo ignora tudo isto, afirmando que pode ser divertido envolver-se com esta pessoa. Divertida é também palavra que descreve esta música.

A lista de músicas referentes a Justin Bieber continua com “Cut You Off”. Mostra o peso de uma relação tóxica e de todas as emoções carregadas durante “1.460 dias”, o equivalente aos quatro anos de namoro com o cantor. Tem um estilo diferente e difere durante a própria música, o que a torna uma das melhores no conjunto.

A última do projeto é uma outra colaboração com Kid Cudi. Em “Sweeter Place” conhecemos a fase mais triste e complicada da cantora, quando foi diagnosticada com lúpus. Após receber um transplante de rim, teve complicações que quase lhe custaram a vida. De volta a um estilo mais R&B, mostra de uma forma bela o desejo de encontrar um sítio mais simpático, ou seja, a libertação de todos os maus pensamentos e momentos, assim como a possibilidade de superação de todos os obstáculos.

Apesar de ser um bom álbum de retorno, existem músicas menos boas. É o caso de “Ring”, “Let Me Get Me”, e “Kinda Crazy”. Abordam temas já bem presentes e a nível de ritmo e batida não são as mais cativantes.

Cinco anos depois Selena Gomez voltou com o terceiro álbum de estúdio. Passou por muito durante este intervalo, e por isso esteve afastada da sua carreira, concentrando-se apenas na sua recuperação. Transpôs de forma excelente todos estes sentimentos para Rare, sendo o foco principal do projeto. Contudo, dentro das 13 integrantes, ouvimos faixas discrepantes a nível de qualidade de produção e capacidade vocal da cantora.