Atualmente, temos assistido à banalização dos filmes de romance, devido à sua expectabilidade. Porém, All the Bright Places promete imprevisibilidade e muitas emoções à flor da pele. A longa-metragem dirigida por Brett Haley estreou a 28 de fevereiro.

Durante uma das suas corridas noturnas, Theodore Finch (Justice Smith) encontra-se numa situação inesperada, na qual todos nós entraríamos em colapso. Ele não. Com a maior calma do mundo e o seu carisma à mistura, consegue demover Violet Markey (Elle Fanning) de cometer uma loucura. Aí começa uma nova jornada na vida de duas personagens que passaram por momentos traumáticos e que se encontravam isolados de tudo e de todos.

All the Bright Places

A obra cinematográfica encontra-se repleta de atores que têm um historial brilhante no mundo do cinema. A atriz principal, Elle Fanning, muito conhecida pelos seus papéis, fez um trabalho brilhante. Justice Smith também se destaca com a melhor e mais difícil performance em todo o filme. Ambos fazem com que o espetador se agarre ao ecrã e saboreie cada momento e cada palavra sentida pelas respetivas personagens, cheias de mudanças de humor incríveis, nas quais não há exagero. Tudo parece simplesmente natural.

O cenário é algo que sobressai. O produtor faz uso de tons mais frios para descrever as fases mais sombrias e tristes. Mas, à medida que os protagonistas se vão conhecendo e baixando a defesa, as cores vão-se esbatendo para tons mais quentes, que parecem iluminar especialmente a cara das personagens e realçar o sorriso.

All the Bright Places não é um romance vulgar. Há também um jogo de palavras, nas quais se critica uma sociedade que “gosta de rótulos” e que nos confina a essa definição socialmente estabelecida. Nesse contexto, a música “Too Young to Burn”, de Sonny & the Sunsets, marca uma nova etapa de aventura e diversão, em que Finch e Violet aproveitam loucamente a vida como se não houvesse amanhã.

All the Bright Places

O guião é extasiante e apela, imediatamente, aos mais profundos sentimentos. Realço aqui o fenomenal discurso final, em que há uma homenagem à vida que ambos viveram e à entreajuda que forneceram um ao outro. Deste modo, a frase que mais transluz a beleza do filme é “há lugares brilhantes mesmo em tempos sombrios. E se não houver… tu podes ser aquele lugar brilhante com capacidades infinitas”.

Embora All the Bright Places seja uma simples história para muitos, para mim mostrou-se mais que isso. É uma arrebatadora e apaixonante narrativa de superação, em que é necessário saber ler-se nas entrelinhas para perceber a verdadeira mensagem deixada pelo argumentista.