The Dream of the Blue Turtles não foi o primeiro contacto de Sting com a música. No entanto, o álbum de 1985 marca Sting enquanto artista a solo e é nele que o britânico se tenta encontrar no que toca a identificação com um género musical. A junção de Jazz, Rock, Pop e outros mais é claramente marcada pela época em que foi escrita. À luz dos dias de hoje não é de difícil compreensão – nem apreciação.

Em 1985, os The Police eram uma das bandas mais famosas do mundo: ninguém preveria que nunca mais fariam um álbum juntos. Neste The Dream Of The Blue Turtles, Sting procura demarcar-se enquanto artista a solo, através de uma viagem imensa e complexa por género musicais. Com um vasto leque de instrumentos, este documento histórico da época promete dar bons momentos a todos, independentemente do género musical.

dna.fr

As tensões entre os Estados Unidos da América e a Rússia faziam-se sentir. A corrida ao armamento e as construções nucleares brutas criavam um sentimento de ansiedade constante. O artista aproveitou então a música para fazer comentários políticos bem diretos, como acontece em “Russians” e “Children’s Crusade”, por exemplo.

Ainda nesta época, a greve britânica dos mineiros de 1984-85 conseguiu criar bastante tensão política e é referida no tema “We Work The Black Seam”. Em ambas as músicas, Sting mostra-se pacifista e que nem o lado que supostamente mais lhe convém apoia, pois guerra é guerra e vai dar sempre ao mesmo.

Existem, ainda algumas músicas numa onda mais Reggae, assim como “If You Love Somebody Set Them Free” (com um toque Gospel e um saxofone magnífico) e “Love Is The Seventh Wave”. Esta última escrita com base num ditado popular entre surfistas e marinheiros que afirma que, se olharmos para o mar, a sétima onda será sempre a mais forte.

Sting afirma que o mundo se encontra, “agora”, na sexta onda da violência e acredita que a sétima acabará com tudo. Aliás, o artista consegue criar suspense na música criando-nos a imagem mental de que se encontra na praia e afirmando seis vezes “There is a deeper wave than this”, deixando-nos curiosos para a sétima.

Contudo, nem tudo foi perfeito. O tema “Shadows In The Rain” é uma reinvenção da versão dos The Police. Apesar da voz de Sting ter mais poder na nova versão, continuo a preferir a que consta do Zennyatta Mondatta com a bateria hipnotizante e determinante.

The Dream of the Blue Turtles” é um belíssimo interlúdio com um piano incrível e uma bela introdução à minha música preferida no álbum: “Moon Over Bourbon Street”. Música esta que às vezes me faz lembrar uma entrada de um qualquer vilão da Disney.

A nível técnico é um álbum praticamente sem falhas. Há uma variedade imensa de instrumentos, mas que, de certo modo, acabam sempre por soar harmoniosos. Fico feliz por Sting ter decidido lançar o seu álbum de “teste”. Numa altura em que ainda não sabia muito bem o que queria ser e fazer enquanto artista a solo, presenteou-nos com uma compilação musical que é o mais próximo que temos de “agradar a qualquer um”.

Ótimo enquanto música de companhia, ótimo para ouvir com atenção, perfeito para dias mais melancólicos e incrível para os dias mais felizes.