Após se reformar do universo da Marvel, Robert Downey Jr. faz a sua primeira aparição em As Aventuras do Dr. Dolittle. Os críticos dividem-se. Uns deliciam-se, outros afirmam ser mesmo “fazer pequeno”. Contudo, deixemos a opinião dos eloquentes pagos e centremo-nos naquilo que vemos e verdadeiramente sentimos: lembrança, confusão e entusiasmo.

Quando ouvimos o nome Dolittle, uma memória vem-nos automaticamente à mente. Poderia ser o efeito mandala. No entanto, de nada disso se trata. Digamos que o filme de 1998, Doctor Dolittle, que nos foi presenteado pelo tão conhecido comediante Eddie Murphy, fez parte do imaginário de uma geração. De qualquer das formas, é importante referir que essa foi já uma recriação do original Doctor Dolittle, de 1967. Trata-se então de uma obra cinematográfica que acompanha a sociedade há 53 anos.

As Aventuras do Dr Dolittle

Em 2020, As Aventuras do Dr. Dolittle dá-nos a conhecer um médico. Mas não um qualquer. Trata-se de um veterinário com “super-poderes” que, poderíamos até mais, faz inveja a qualquer profissional da área. Sem mais nem menos, o protagonista aprendeu os padrões de linguagem dos animais e consegue comunicar com os mesmos, sejam eles seres aquáticos, voadores ou terrestres. Durante o filme, a sua capacidade é muito bem espelhada e uma das cenas mais engraçadas é a sua interação com um polvo.

Um jogo de xadrez com um gorila, a ajuda de um urso na colheita de condimentos para as diferentes refeições e um papagaio “psicólogo”, são alguns dos exemplos do seu dom. Seria difícil, para seres que apenas acreditam naquilo que veem, imaginar a transposição da relação comunicativa entre um ser humano e um animal. No entanto, Dolittle consegue fornecer um exemplo realista da atividade.

As Aventuras do Dr Dolittle

Por tudo isto, devemos dar os parabéns ao trabalho de CGI no filme. De qualquer das formas, existem pequenos erros que retiram algum do contentamento com o resultado. Os olhares entre animais e humanos nem sempre se cruzam e o som da voz dos animais aparenta surgir de um lugar que não a sua boca. Ainda assim, trata-se de uma longa-metragem para se ver com a mente aberta e, acima de tudo, por pessoas que estão predispostas a se divertirem com as piadas (muitas vezes infantis, mas com uma pitada de humor adulto) de Dolittle.

Algumas das risadas provenientes da produção residem na própria apresentação das personagens. Um urso polar que está sempre com frio, um gorila com ansiedade, uma avestruz cínica e rabugenta, uma libelinha romântica incurável e um esquilo movido a teorias da conspiração são alguns dos exemplos.

As Aventuras do Dr Dolittle

O trabalho encontra-se ainda recheado com a participação de celebridades de renome e novos talentos que dão voz às diferentes personagens. Entre estas destacam-se Robert Downey Jr. (Dr. John Dolittle), Antonio Banderas (Rassouli, o Rei dos piratas), Michael Sheen (Dr. Blair Müdfly), Harry Collett (aprendiz de Dr. Dolittle), Rami Malek (Chee-Chee) e John Cena (Yoshi).

Para além disso, conta com uma panóplia de composições musicais apaixonantes. Uma dessas músicas é Original, de Sia. Poderíamos dizer que se trata de um apelo à aceitação das diferenças: “Não quero perder tempo da minha vida a ser normal / Quero ser original / Mesmo quando é difícil / Não vou mudar quem eu sou”. As cenas do filme são também acompanhadas por melodias cativantes de Danny Elfman.

Para todos os apaixonados por animais, quer crianças, quer adultos, e para todos aqueles que gostam de ver filmes de fácil consumo, As Aventuras do Dr. Dolittle será um dos filmes indicados. Com aproximadamente uma hora e 30 minutos, é capaz de contagiar qualquer pessoa.