As Telefonistas de Madrid voltaram no dia 14 de fevereiro. A nova temporada da série espanhola da Netflix está repleta de paixões, traições, intrigas e guerra.

A diversidade cultural na sétima arte está cada vez mais patente em todos os sentidos. Ultrapassou-se o estereótipo de que o inglês seria a única língua a predominar nas ficções mundiais e abriu-se espaço a muitas outras. Desde 2018, o espanhol tem vindo de braço dado com tramas de audiências extraordinárias e As Telefonistas não é exceção.

As Telefonistas

A série da Netflix teve início em abril de 2017 e a regressou para uma terceira parte este ano. Através de um discurso feminista, de época, poderoso e de busca de identidade, conta-se a história de cinco mulheres nos anos 20 em Madrid, do seu trabalho numa companhia telefónica e das adversidades que encontram pelo caminho.

Não faltam os típicos ingredientes de qualquer trama: triângulos amorosos, gravidez, mortes falsas, irmãos gémeos e vilões inabaláveis. Porém, a chave do sucesso reside nas quatro protagonistas e na união e companheirismo que vincula a amizade de Lidia (Blanca Suárez), Marga (Nadia de Santiago), Óscar (Ana Polvorosa), Carlota (Ana Fernández) e Ángeles (Maggie Civantos). Não há nada que não aconteça a uma sem que as outras não se envolvam. Contudo, são as tramas pessoais que deixam muito a desejar.

A primeira parte desta quinta e última temporada começa sete anos depois do final da anterior. Julgava ter-se concluído um ciclo após a morte de Ángeles, mas é precisamente a filha, Sofía (Denisse Peña), que volta a reunir as quatro amigas em Madrid, em plena guerra civil.

As Telefonistas

Blanca Suárez tem uma prestação arrebatadora que deixa qualquer um colado ao ecrã. Porém, são as personagens tratadas como secundárias as que mais brilham na série: Ana Polvorosa deixa qualquer um de queixo caído, a personagem de Ana Fernández tem um carácter arrebatador e a ternura de Nadia é a luz no meio de tanta tragédia. No meio de tudo isto, só é de lamentar que os holofotes estejam tão intensamente ligados para Lidia e menos focados em Óscar.

O ponto forte da temporada é o cenário real, comovedor e até mesmo arrepiante. O vestuário e a maquilhagem também são bastante coerentes com a época. Porém, é a banda sonora o calcanhar de Aquiles. Ainda que impactantes, os temas escolhidos são da atualidade e estão em inglês, o que se torna irracional, dado tratar-se de uma série que retrata os anos 20 em Espanha.

Não obstante, As Telefonistas tem o dom de prender o espectador ao ecrã durante horas a fio. Talvez seja pelos triângulos amorosos, pelas figuras bastante marcantes das protagonistas, ou pelas intrigas que acompanham cada temporada. O que é certo é que esta última se revelou surpreendente e imprevisível, com um final inquietante.