Most Of Us Are Strangers, lançado no dia 13, é o quarto álbum de Seafret: uma obra típica, bem pensada e tocante. O duo (Jack Sedman e Harry Draper), conhecidos pelas músicas “Oceans” e “Give Me Something”, apresenta-nos este novo trabalho como se o ouvinte estivesse perante uma história tipicamente mundana e que por isso é tão bem-vinda.

Most of us are strangers é composto por 12 faixas que surgem como uma continuidade direta do trabalho de Seafret. Exibem os habituais ritmos pouco intrusivos, a fina e clara ligação entre as mensagens a transmitir e as letras e a elegância tão característica das suas músicas.

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Neste álbum, se escutarmos com atenção, parece que todas as faixas nos guiam por um caminho. À medida que o vamos escutando, é como se estivéssemos presentes face a uma série: como se, de faixa a faixa, fossemos presenteados com um novo e incrível episódio.

Num primeiro momento a personagem principal reconhece que não quer estar sozinha e que precisa de um amparo, de um amor (“Most of us are strangers” e “Be my queen”). De seguida apercebe-se que tem de abandonar a sua cama confortável e que precisa de se movimentar para atingir o que quer (“Why do we stay”). No entanto, não o faz. Espera, hesita (“Fall”) e afasta quem quer manter por perto (“Magnetic” e “Girl I Wish I Didn’t Know”).

Num segundo momento, esta personagem relembra-se do que foi, reconhece como se encontra (“Love Wont Let me Leave”) e quem é (“Monsters”). Nas últimas faixas temos um renascer pessoal desta entidade (“Can’t look away”, “Lie to me”, “Loving you” e “Unbreakable”).

A primeira faixa do álbum – “Most of us are strangers” – confere-lhe o título e é, sensivelmente, uma das músicas que mais sobressai deste trabalho, juntamente com “Love Won’t Let Me Leave”, “Loving You”, “Monsters” e “Magnetic”. Destas, “Monsters” e “Magnetic” destacam-se pela diferença, não só por causa do peculiar ritmo, com uma batida mais forte, mas por causa do posicionamento da voz.

As outras distinguem-se por serem aquilo que esperávamos do álbum: moldagens únicas de sentimentos, articulados com um compasso amargurado, mas forte, potente e revoltado. Aquelas que têm maior poder de criação de movimentos mentais e sentimentais são expostas como um subtil poema onde o instrumental aparece apenas como um amparo levezinho e onde a letra é aquilo que é intencionalmente espelhado.

O álbum não se esquiva da dinâmica habitual de Seafret e projeta o mesmo sentido habitual de sentir a melodia. Oferece o espectável, mas brilha pontualmente com este novo projeto.