Bad Education estreou na HBO no dia 25 de abril. Com um elenco de luxo estrelado por Hugh Jackman, é um drama com um toque de comédia que revela a natureza humana. Baseia-se na história real do maior escândalo de apropriação indébita de fundos de escolas públicas dos Estados Unidos da América, em 2003.

Frank Tassone é um administrador escolar meticuloso e de bom aspeto de Long Island, que está tão atento à sua aparência pessoal quanto ao progresso académico dos seus alunos. A longa-metragem faz questão de mostrar como Tassone realmente se importa com os estudantes e com a classificação da escola, posicionada em quarto lugar quando o filme começa, o que serve de impulso para alcançar o primeiro lugar.

Bad Education

No entanto, o protagonista também está sobrecarregado de trabalho, é mal remunerado e, como evidenciado por uma reunião bastante insuportável com um dos pais condescendentes, também é subestimado. O mesmo acontece com Pam Gluckin (Allison Janney), a administradora assistente de negócios da escola e responsável por manter os livros de despesas. Para além disso, a mulher encarrega-se ainda da utilização do cartão de crédito da instituição.

A narrativa é apresentada com a ajuda de Rachel (Geraldine Viswanathan), uma repórter do jornal da escola de Roslyn que vai até Frank para obter algumas citações para um artigo lisonjeador sobre um projeto de construção para a escola. Ele desafia a aspirante a jornalista a pensar maior que isso, um gesto de incentivo praticamente condicionado, mas que acaba por ser um ato de auto-sabotagem. Ela leva as palavras a sério e começa a investigar e a desvendar verdades condenatórias sobre a maneira como o dinheiro da escola foi gasto.

Bad Education

Bad Education apresenta novos desenvolvimentos lentamente, usando cada um deles para realçar um aspecto anteriormente invisível e, muitas vezes, surpreendente da vida e da personalidade de Frank. É um homem que se deixou levar pelas contradições do seu trabalho, de dirigir uma escola que deveria ser uma instituição pública, mas que cai nas mãos de interesses comerciais. Afinal, uma boa escola aumenta os preços da habitação local e atrai mais financiamento dos pais, as pessoas que depois esperam ser tratadas como clientes. Tassone, bem como os seus colegas, deveriam ter escolhido as carreiras em educação pelo significado, não pelo dinheiro.

Hugh Jackman oferece um desempenho verdadeiramente complexo, com diversas camadas. No entanto, estas não se desenrolam e acabam por se transformar em clímaxes de gritaria ou cenas intensas repletas de lágrimas. Em vez disso, sombras da verdadeira natureza de Frank são vislumbradas apenas em breves flashes, sob uma subtileza aperfeiçoada pelo ator.

Destaca-se também o papel de Ray Romano, como administrador, e Rafael Casal, como ex-aluno. Allison Janney, que interpreta, para além de colega administradora, a cúmplice funcional de Frank, é a estrela secundária mais reveladora. Quando se tem Allison Janney no elenco, ela torna-se uma espécie de MVP, e isso é definitivamente verdade no trabalho dela aqui.

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Quanto aos aspetos técnicos, a longa-metragem tem algumas diferenças em relação ao anterior filme de Cory Finley, Thoroughbreds (2017), a nível de estilo. No entanto, apresenta composições igualmente precisas e uma banda sonora percussiva e estridente. No que diz respeito ao visual, o realizador aprecia a vida sem glamour de um administrador de uma escola pública, favorecendo a iluminação fluorescente insuportável. A decoração do cenário está em sintonia com os detalhes. Até o software dos computadores dos estudantes jornalistas é, por sua vez, exatamente como seria na altura.

Baseado em factos verídicos e com um argumento escrito por um dos alunos da escola de Roslyn, Bad Education é então um filme sobre a natureza humana, sobre a tendência de continuar a fazer algo que não devemos simplesmente porque não fomos apanhados. É sobre como um sociopata se enquadra tão bem entre os demais, sendo até adorado por eles. É ainda sobre como a ganância e corrupção parecem ser intrínsecas até àqueles que genuinamente querem fazer o bem. Definitivamente uma das melhores estreias para se desfrutar em tempo de isolamento.