Heloise Letissier, mais conhecida como Christine and the Queens, lançou no dia 27 de fevereiro o seu novo EP La Vita Nouva. Contem seis faixas de um leve Synth Pop e tem apenas uma colaboração, com Caroline Polacheck, na música “La Vita Nouva”.

A cantora francesa canta em quatro línguas: a língua materna, o inglês, o espanhol e o italiano, mantendo extraordinariamente o sentido e a fluidez na troca entre elas. O lançamento veio acompanhado de uma curta-metragem das músicas, realizado por Colin Cardo, produzido por Rémy Solomon e disponível no Youtube.

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Este casamento das músicas com o visual foi feito da melhor forma possível. Dá vida às músicas e facilita a perceção da história que Christine nos conta: ela sente-se vulnerável. Gravado inteiramente em Paris, a cantora utilizou diferentes cenários que representassem melhor cada faixa. A dança, com vários bailarinos a acompanhar, é também usada para exprimir os sentimentos

People I`ve Been Sad” é a primeira faixa do EP e já tinha sido lançada antes como um single. Nesta, Chris está claramente triste por situações que passou e reflete na natureza vil humana como as pessoas são capazes de rebaixar outras intencionalmente.“People come and say evil things” sobre sentimentos que nos são próximos e íntimos.

Completamente em francês temos “Je Disparais Dan Tes Bras”. Inicia-se assim o tópico do amor que irá ser seguido até ao fim do projeto. Christine canta como se dirigisse a alguém com quem estivesse estado numa relação tóxica. A pessoa aproveitava-se dela e amava-a só quando lhe convinha, daí ela perder-se a ela mesma, quase como se desaparecesse nos braços dele, pois ela sim estava apaixonada. Esta música surge novamente no final como um bónus, mas em inglês.

Mountais (We Met)”, ao contrário da faixa anterior, é cantada em inglês do início ao fim e temos agora um distanciamento na relação. Dirigisse novamente a alguém que ama e pergunta-lhe o porquê de este se afastar. Liricamente, a música é maioritariamente “Mountains / Since we met” para mostrar que entre eles existe uma imensidão de montanhas que os afasta.

A quarta faixa e mais curta do EP é “Nada”. Finalmente, Christine abandona a relação e entra em conflito consigo mesma. Questiona se se devia ter libertado da relação e como o passado desta levou a que apenas num dia tudo acabasse. Questiona, ainda, se fez o correto em priorizar-se. O refrão que ocupa a maior parte da música é “nada”, referindo que perdeu o que tinha e que não lhe restava “nada”.

Porém, este sentimento é acompanhado por um novo, o de resiliência. “Pasa”, em espanhol, transforma a música num ritmo impactante e atribui-lhe um novo sentido. Apercebe-se que, afinal, não tinha perdido nada e que o que sentia iria passar.

Passando por isto tudo, Christine and the Queens finalmente liberta-se. “La Vita Nuova” é a música mais up-beat do álbum e mais enérgica de longe. Baseada no livro do italiano Dante Alighieri’s “Vita Nuova” temos um amor cortês dos tempos medievais.

Chris mostra-nos uma nova paixão ardente por alguém, mas agora tem conhecimento empírico e não confia tão facilmente nos “heart breakers” até eles mostrarem que sentem o mesmo. Experiencia o amor de uma forma desejosa sem o obter realmente. Caroline aparece no segundo verso em italiano.

A evolução que demonstrou é representada também na sua curta-metragem. Começa no topo das casas de Paris a cantar para o ar como se estivesse a pregar ao mundo sobre as más atitudes humanas, acompanhada de uma figura masculina demónica. Esta figura representa o tal amado dela, que a acompanha até a sua morte em “Nada”.

Depois somos transportados para a Ópera Nacional de Paris, onde vamos então experienciar uma encenação teatral efervescente com vividos movimentos de dança até ao seu chocante grande final. Christine torna-se na figura anterior demoníaca.

Como podemos perceber, este EP é realmente sobre uma frágil Christine, devido ao relacionamento amoroso que passou, e partilha-o para mostrar como se sentiu, como superou e como se sente agora.