A 13 de março chegou à Netflix a terceira temporada de Elite. A série de suspense juvenil tem vindo a ganhar notoriedade a passos largos. Contudo, por vezes o jogar pelo seguro torna-se cansativo e as mudanças nem sempre correm para o melhor.

Em outubro de 2018, a Zeta Producciones deu-nos a conhecer Las Encinas. Neste colégio onde só os mais privilegiados entram (salvo uma ou outra exceções), descobrimos as tramas habituais de jovens do ensino secundário: o amor, as drogas, as expectativas da família e, pelos vistos, os assassinatos.

Elite

O plano de fundo de uma zona rica (e de uns quantos “intrusos”) onde os jovens atraentes são mimados e só se metem em problemas não é propriamente original. Um bocadinho de Gossip Girl aqui, outro tanto de 90210 ali e vai-se compondo esta série. O que deveria destacar verdadeiramente Elite seria o seu lado mais negro. No entanto, até a escolha para o contar não é original, mas confesso que resulta bem.

Durante as três temporadas de oito episódios cada, através de flash-forwards (aqui está uma pitada de Como Defender um Assassino) é-nos dado a entender que algo de grave aconteceu, geralmente através de interrogatórios policiais nos quais nos são contadas partes da estória que leva ao assassinato. Por outro lado, enquanto isto muito bem resultou na primeira temporada e ainda se conseguiu manter na segunda, na terceira começa a cansar.

Entre alguns diálogos pouco conseguidos, reviravoltas estranhas e mal explicadas e situações pelas quais nenhum adolescente passaria, a Elite já viu melhores dias. Neste ponto tenho de destacar principalmente Samuel (Itzan Escamilla) e Carla (Ester Expósito). Ao que parece, e ao contrário do que eu achava, foi possível tornar Carla muito menos interessante do que nas restantes temporadas, apesar do claro esforço para que ela tivesse um papel mais importante no enredo. Conseguiram ainda tornar uma das piores personagens ainda mais aborrecida, pois Samu conseguiu fazer com que eu revirasse os olhos umas quantas vezes. Para além disto, começa a perder-se a paciência para os “vai e não vai” românticos.

Elite

Pelo lado mais positivo, destaco o elenco. Quase sem exceção, é possível sentir uma química enorme entre todos e bastante expressividade. Os atores conseguem mesmo trazer alguma vida a personagens que nem sempre o pedem muito (como Carla, por exemplo), porque nem todas estão tão bem conseguidas como Lucrécia. “Lú” ou a pequena Blair Wladorf, como acho que é possível reparar ligeiramente, dá vida à série de início a fim. Protagonizada por Danna Paola, é a típica rainha da escola que tem sempre um comentário sarcástico na ponta da língua. Clichê? Muito, mas funciona bem.

Na lista do que pouco me agradou tenho, por fim, o final. Considero que a vida no Las Encinas devia ter chegado ao fim com esta temporada, mas duvido que vá ser assim. O desfecho demasiado aberto prevê uma continuação, mas a perda de algumas das melhores personagens deixa pouca vontade para ansiar por uma eventual quarta parte.

Posto tudo isto, seria de esperar que não recomendasse Elite. Contudo, a boa performance da maioria dos atores, uma ou outra personagem bem construídas, o desenvolvimento engraçado e os planos limpos, dinâmicos e luminosos tornam a experiência estranhamente agradável. Não acrescenta nada, mas entretém e isso por vezes chega. Contudo, tenho um palpite que a quarta temporada não há-de surtir o mesmo efeito.