Luís Sepúlveda faleceu esta quinta-feira, dia 16 de abril. O escritor chileno de 70 anos encontrava-se internado em Espanha desde fevereiro, após testar positivo para a Covid-19 no dia 27 desse mês. O autor de Crónicas do Sul será para sempre relembrado como um dos maiores nomes da literatura américo-latina.

Nasceu a 4 de outubro de 1949, em Ovalle, Chile. O filho de um militante do Partido Comunista e de uma enfermeira acabou por ser criado no bairro de San Miguel de Santiago. Começou a escrever cedo, influenciado por uma professora do Instituto Nacional.

O percurso do autor foi recheado e diverso. Aos 15 anos juntou-se à Juventude Comunista do Chile, mas acabou por ser expulso. De seguida, alistou-se no Exército de Libertação Nacional do Partido Socialista. Após completar o ensino secundário, ingressou na Escola de Teatro da Universidade do Chile, da qual acabou por se tornar diretor. Alguns anos depois, licenciou-se em Ciências da Comunicação, mas desta vez na Alemanha, abandonando o seu país aquando da ditadura de Pinochet.

Luís Sepúlveda

Apesar de tudo, é talvez redutor referirmo-nos a Luís Sepúlveda apenas como autor. Para além de contos, romances, ensaios e outras publicações, foi também defensor de causas ambientais e nos anos 80 chegou, inclusive, a trabalhar para a Greenpeace. Sublinha-se ainda a sua paixão pelos estudos dos contrastes regionais da América Latina, bem como a defesa das origens Mapuche, que na sua família corriam no lado materno.

Em 1997, mudou a sua residência para Gijón, em Espanha, onde vivia na companhia da sua mulher, Carmen Yáñez, também escritora. Foi lá que fundou o Salão do Livro Ibero-americano.

Em Portugal, o escritor teve um enorme sucesso com O Velho que Lia Romances de Amor (1988) e, entre as camadas mais jovens, com História de Uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar (1996). Contudo, muitos consideram que a sua magnum opus é a obra Crónicas do Sul (2006). Luís Sepúlveda vendeu mais de 18 milhões de exemplares em todo o mundo, em mais de 60 idiomas. Em Portugal, temos a sua obra na íntegra e algumas das suas publicações constam do Plano Nacional de Leitura.

O escritor chileno testou positivo para o coronavírus a 27 fevereiro, data desde a qual se encontrava internado no Hospital Universitário Central das Astúrias, em Espanha. A sua mulher encontrava-se, na altura, também infetada. Dias antes, o autor tinha participado no festival literário Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim.

Luís Sepúlveda acabou por falecer esta quinta-feira, dia 16 de abril. Será para sempre recordado por todos aqueles que tiveram a sorte de ler alguma das suas obras, bem como as mensagens que tentava passar, principalmente, de amor.