Equador foi o primeiro romance do escritor e jornalista Miguel Sousa Tavares. A obra de ficção histórica, tão injustamente esquecida pela crítica, é de um visualismo extraordinário e aglomera um pouco de tudo para todos os interesses.

O romance de Miguel Sousa Tavares foi publicado em 2003. É difícil acreditar que esta foi a estreia do autor no género e, apesar da popularidade entre os leitores, o livro foi injustamente esquecido pela crítica. Esteve também envolvido em algumas polémicas relativas a pirataria de direitos de autor, entre e outras. Contudo, considero que a obra merece ser para sempre relembrada como uma revisitação impecável à nossa história.

Miguel Sousa Tavares, Equador

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Equador começa em 1905 e relata a história de Luís Bernardo. Este lisboeta boémio e diletante nutre uma grande curiosidade pela Questão Colonial. Após publicar um artigo sobre este tema no jornal Mundo, Luís Bernardo é chamado pelo rei D. Carlos a Vila Viçosa, sob o convite de se tornar Governador-Geral de São Tomé e Príncipe.

São Tomé e Príncipe torna-se então o grande pano de fundo deste romance, que tem tudo para agradar a todos. Paixões proibidas, intrigas e desavenças políticas, os últimos suspiros da nossa monarquia e todo o fervor envolvente aliam-se a um visualismo claro de quem pensou na possibilidade de uma adaptação aos ecrãs. A última acabou por acontecer na TVI em 2008 e com o acréscimo de uma escrita dinâmica, que muitas vezes se deixa de lado neste género. Apesar das suas 500 páginas, o livro traz consigo uma absorção tal que dá vontade de ler num só fôlego.

Sublinho a descrição exímia dos espaços, que me chega a fazer sentir que algum dia estive em São Tomé e Príncipe. No entanto, as personagens não ficam para trás. É possível criar uma ligação com Luís Bernardo, mas também acontece acharmos que uma personagem vai ser mais relevante e acaba por não o ser, o que confere bastante curiosidade. Aliás, e contrariamente à opinião do autor, imensos críticos comparam esta obra e alguns dos seus traços ao género de Eça de Queirós.

O jornal italiano La Nazione disse que o Equador é “uma epopeia destinada a ficar na história da literatura europeia” e acho muito difícil discordar, apesar da opinião da crítica portuguesa. É, sem dúvida alguma, um livro que nenhum leitor devia querer perder.