A nossa curiosidade é posta à prova quando se está em casa sem nada para fazer. Uma imensidão de filmes passa-nos pela cabeça, mas o melhor é relembrar ícones do mundo do cinema. O Estranho Caso de Benjamin Button foi considerado um verdadeiro sucesso, em 2009, e foi o mais nomeado para os Óscares no mesmo ano.

O filme de David Fincher retrata a vida de Benjamin Button, um menino que nasce com cerca de 80 anos e que rejuvenesce consoante a passagem do tempo, dando-se uma dramática inversão do ciclo da vida. Face à morte da mulher durante o parto e ao ver o filho como um monstro, com a pele rugosa e que causara a morte da mãe, o pai abandona-o e deixa-o à porta de Queenie, uma mulher muito stressada, mas com um enorme coração que trabalhava num asilo.

O Estranho Caso de Benjamin Button

É neste local que Benjamin conhece Daisy, neta de uma residente, que o deixa para seguir uma carreira como bailarina. Embora o protagonista tenha vivenciado uma vida cheia de aventuras e atribulações, a sua ligação com Daisy fá-lo acreditar que os dois se vão voltar a cruzar no momento certo da vida.

Estranho e sensacional. O Estranho Caso de Benjamin Button faz-nos ver a vida de uma perspetiva completamente diferente do que é comum, o que causa um misto de sensações sobre a nossa relação com a morte e nos mostra a inexorabilidade do tempo. Em contrapartida, a longa-metragem torna-se também exaustiva, devido às várias quebras na história de vida de Benjamin, documentada no diário do próprio, que é lida pela filha de Daisy. Apesar de o diretor interromper a história para voltar ao presente várias vezes, também lhe confere um ritmo incrédulo e lhe dá uma estética fenomenal.

O elenco é mais uma peça fundamental para o bom desempenho desta obra cinematográfica, que leva o objetivo de impressionar a bom porto. Brad Pitt faz um papel extraordinário na pele de Benjamin, pondo todo o engenho que tem em cada palavra que diz, o que dá muita credibilidade à personagem que interpreta e gera empatia. Por outro lado, Cate Blanchett desempenha o papel de Daisy, uma personagem muito emotiva, que age de acordo com os seus instintos. É impressionante o modo como a atriz consegue acumular todos estes sentimentos sem sobrecarregar e tornar o seu papel artificial.

O Estranho Caso de Benjamin Button

No que diz respeito ao cenário, as imagens contam com uma carga emocional muito forte, como o asilo. Porém, o diretor vai além da imagem, ou seja, apesar de um asilo ser visto como um lugar mau e de nem ter uma estética muito bonita, nem moderna, este mostra a alegria que se vive lá dentro e a intensidade com que aquelas pessoas se divertem e dançam. Por outro lado, a cor monótona do cenário no decorrer do filme transmite ao espetador um sentimento de tristeza, com tons muito quentes em que se dá uma saturação da imagem.

O Estranho Caso de Benjamin Button é altamente rico, principalmente em termos técnicos. É um ótimo conto para nos fazer refletir sobre as coisas cruciais da vida: os laços entre as pessoas.