Dia 8 de maio, passada sexta-feira, Kehlani lançou o mais recente projeto, It Was Good Until It Wasn’t e os fãs estão rendidos. A artista canta sobre a sua última relação, repleta de toxicidade, momentos altos e baixos, dor e cura: conta uma história do princípio ao fim e leva consigo quem a ouve.

Contrariamente ao primeiro álbum, SweetSexySavage, com o qual não estava totalmente satisfeita aquando a data de lançamento, a cantora assegura que It Was Good Until It Wasn’t foi aperfeiçoado ao pormenor. A maturidade e crescimento de Kehlani reflete-se na música e a arte que apresenta mostra um maior nível de vulnerabilidade, sem que perca a postura. O disco conta com participações de Tory Lanez, Jhené Aiko, Masego, e James Blake.

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O arranque é feito por “Toxic” e, acompanhada por um baixo, Kehlani canta “you a damn drug, you’re toxic”. Estando a abertura do álbum feita, todas as canções que se seguem mantêm um padrão melódico semelhante.

As faixas seguintes, “Can I” e “Bad News” mostram um lado mais positivo e ardente da relação. A paixão e o sexo estão muito presentes e quando aborda o tema diz “this shit’s so good, should be illegal”.

Real Hot Girl Skit” surpreende pela curta duração de 16 segundos constituídos por uma mensagem de voz na qual a artista exalta confiança com expressões como “this the best motherfucking pussy a nigga ever had in his motherfuckin’ life”. O tema serve como viragem de página e é daqui para a frente que o perfeito deixa de o ser.

Segue-se “Water”. A cantora faz referências ao mapa astral do amante, comentando que todos os seus planetas são em água. Para os mais devotos à astrologia, é fácil perceber o significado de tal: signos destes tendem a ser os mais sensíveis e românticos. Seguidamente, “Change Your Life”, canção na qual Kehlani mostra um lado mais sério e admite querer construir uma vida ao lado da pessoa para quem canta, idealizando futuras viagens e momentos íntimos.

Belong To The Streets Skit” muda o paradigma. O ouvinte começa a ser introduzido às falhas da história de amor contada e o que até ao momento fora bom, já não o é. Em “Everbody’s Business”, a cantora confessa o desconforto para o quão pública tanto a sua vida como a sua relação se haviam tornado e o quão problemático isto pode ser.

Serial Lover” é a metáfora perfeita. Assassinos em série são frequentemente reconhecidos pelos seus padrões repetitivos e obsessivos, como se de um vício se tratasse e é assim que a artista fala da vida amorosa e sexual.

F&MU” atinge o auge da toxicidade quando Kehlani confessa sentir ódio causado pelas lutas constantes que são resolvidas por meios sexuais. Perde-se a cumplicidade e comunicação e a relação passa a basear-se apenas em sexo.

A jovem americana continua e canta sobre preferir lutar do que ter de dormir sozinha. Contudo acaba por admitir querer sarar e precisar de tempo e espaço para si mesma, para que a sua saúde mental e amor próprio possam florescer.

Estando o disco encerrado, é impossível não sentir empatia pela experiência da cantora e respeito pela transparência com que a aborda. Ouvir o segundo álbum de Kehlani é como ler-lhe o diário e perceber que, de facto, It was Good Until It Wasn’t.