PARTYNEXTDOOR lançou em março deste ano o terceiro álbum de estúdio. O artista canadiano regressou no registo habitual de R&B contemporâneo, mas deixou dúvidas sobre a qualidade do projeto.

No núcleo dos amantes de R&B contemporâneo, o entusiamo gerado pelo lançamento dos álbuns de PARTYNEXTDOOR é notável. Contudo, os últimos lançamentos, especialmente com o último EP Colours 2, tem vindo a reunir um descontentamento. Com PARTYMOBILE, PARTYNEXTDOOR viu a pontuação baixar mais uma vez.

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PARTYMOBILE é mais um álbum no registo de R&B contemporâneo, algo expectável. O que não se esperava era a falta da magia de PARTYNEXTDOOR que conhecemos. Essa magia residia, essencialmente, nas suas letras.

Relembramos o sucesso que foi a sua música “Recognize”, com o contributo de Drake, e relembramos o quão mais pessoal e intimista PARTYNEXTDOOR era nas letras. Ou com “Wus Good/ Curious”, onde o canadiano combinava o som viciante com uma letra mais verdadeira.

São poucas as músicas que resgatam o antigo PARTYNEXTDOOR em PARTYMOBILE. Quando lançou o single THE NEWS”, que em março fez parte do álbum, as pessoas mergulharam naquele entusiasmo. De facto, “THE NEWS” relembra aquilo que conhecemos de PND, mas esse entusiamo não foi correspondido em março.

Pobres em conteúdo, as letras não foram o forte das faixas neste álbum. Em músicas como “TRAUMA” e “TURN UP”, onde as letras registam uma constante repetição ou com “EYE ON IT” onde a dedicação aos versos escapou. Em “SPLIT DECISION”, o artista canadiano deixa a sua típica marca quando faz um interlúdio de uma chamada, mas a letra já é algo previsível.

PARTYNEXTDOOR convidou a emblemática Rihanna para “BELIEVE IT”, uma das músicas mais conhecidas do álbum. Ninguém contava com o contributo de Rihanna, visto que a pausa na sua vida musical não tem um retorno previsto. Esta música, assim como “THE NEWS”, é das músicas deste álbum que mais cativam, tanto a nível de sonoridade como a nível da composição dos versos.

No que diz respeito à produção musical, como já a conhecemos no R&B atual, não houve nenhum elemento de surpresa. PARTYNEXTDOOR, contudo, escolheu sons para determinadas músicas cuja produção nos relembram África. Talvez o grande problema esteja no facto de a indústria da música, atualmente, misturar os sons e as melodias musicais de uma maneira que já tudo parece homogéneo.

Será que o que sentimos é um sentimento de saudade do antigo? Saudades da singularidade de PARTYNEXTDOOR e do seu contributo especial no R&B contemporâneo. Muitos são os que acreditam que a sua presença na OVO Sound, editora de Drake, foi um entrave à sua música como a conhecemos. Porém, a esperança de que um projeto preenchido e enriquecido do canadiano volte continua nos pensamentos dos seus fãs.