Dia 24 de Abril de 2020, Tom Misch e Yussef Dayes presentearam-nos com o mais recente projeto: What Kinda Music. O álbum de 12 faixas tem bastante qualidade e chega a ser uma viagem interessante, mas está aquém daquilo que se esperaria da junção dos dois britânicos.

Tom Misch é um vocalista, guitarrista e produtor britânico de um género bastante variado e peculiar (da Eletrónica ao Indie Pop). Yussef Dayes, por sua vez, é um baterista maioritariamente de Jazz que partilha com Kamaal William o projeto Yussef Kamaal. Confesso que a junção destes dois me deixou bastante curiosa e com alguma ânsia pelo lançamento de What Kinda Music. Fruto da expectativa ou não, gostei, mas não fiquei fascinada.

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O álbum, assim como o próprio nome pode sugerir, tem uma variada quantidade de géneros musicais. Com maiores influências no Jazz e no Soul, este projeto conta, também, com três participações especiais. Em “Nightride” temos a presença do rapper Freddie Gibbs, num refrão que demora a sair da cabeça e a conferir alguma dinâmica ao tom mais pacato de Tom Misch.

Já em “Lift Off” contemplamos o baixista Rocco Palladino com bastante protagonismo e numa harmonia inesperada com a bateria de Dayes. No último tema, “Storm before the Calm”, conhecemos Kaidi Akinnibi no saxofone com um trabalho exímio e mais aproximado do Jazz e Soul do que dos restantes géneros contemplados ao longo do álbum.

O álbum foca-se bastante no instrumental, aliás existem 4 músicas que contém apenas instrumental. Coincidência ou não, estas quatro foram as minhas preferidas. Não quero dizer com isto que a voz de Misch seja má, pelo contrário, conheço outros projetos do artista e todos eles de bastante qualidade. Contudo, nem sempre juntar duas coisas boas dá algo melhor. Apesar de ser percetível a qualidade de Yussef e de Misch individualmente, não creio que a junção fique harmoniosa em alguns momentos.

Sublinho, ainda, que o álbum, na minha opinião, poderia ser dividido em dois. Do início até “Tidal Wave”, inclusive, o instrumental é bastante hipnotizante e há toda uma envolvência nostálgica, mas que chega a ser melancólica.

Já depois de “Sensational” – que confere uma “ponte” perfeita para esta diferença – as coisas tomam laivos mais alegres e cresce uma outra dimensão. As participações especiais de outros músicos, especialmente de Kaidi Akinnibi, foram bastante bem enquadradas e creio que conseguiram preencher uma parte do “fosso” que sinto existir entre os dois protagonistas.

Uma junção pouco provável, mas da qual esperava mais. Contudo What Kinda music não deixa de ser uma boa companhia para um momento em que o objetivo seja relaxar, principalmente os temas instrumentais. Continuarei a acompanhar os trabalhos de Tom Misch e de Yussef Dayes, no entanto, não creio que a parceria seja o caminho que mais enalteça o que cada um é capaz de fazer.