Quatro anos depois do último álbum, John Legend retorna com o projeto Bigger Love. Ao longo das 16 faixas vamos descobrindo o que é este “amor maior” na visão do pai de dois filhos e marido de Chrissy Tiegen. Com bastantes colaborações, o artista consegue um álbum completo e muito diverso.

Começa com um ambiente bastante romântico.“Ooh laa” é dedicada aqueles momentos íntimos passados com aquela pessoa especial. A mistura de Pop com R&B cria a atmosfera perfeita para prosseguir com a audição do álbum.

John Legend é conhecido, entre outros fatores, pelas suas canções de amor. Contudo, em “Actions” admite que canções não valem tanto como agir e mostrar o amor que sente todos os dias. Nesta música o que prevalece não é tanto a voz, mas sim a mensagem que transporta.

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Após se ter apercebido que é importante estar sempre presente, em “I Do” confessa querer viver todo o tipo de experiências e ir até ao fim com esta pessoa. Já se notam as influências Jazz típicas do artista.

Para provar a diversidade de estilos, “Wild” tem apontamentos de Rock graças à excecional participação de Gary Clark Jr na guitarra. O tema em si é semelhante ao que já se ouviu, mas a produção musical está muito bem conseguida.

Rapidamente viajamos para o Reggaeton. “Bigger love” é uma boa canção de verão, daquelas que fazem todos dançar. Tal como o verão significa liberdade, relaxar e viajar, também esta música transmite essa ideia em relação ao amor, no sentido que deve proporcionar estas experiências. Sai um pouco do estilo de balada típica de John Legend, mas tem uma beleza única.

Dito isto, surge uma balada com a incomparável participação de Jhené Aiko. “U Move, I Move” é uma declaração de amor. Ambos confessam que irão estar sempre presentes para o amado e mostram gratidão. A voz feminina dá bastante destaque e relevância à letra, tornado a sétima faixa uma das mais bonitas.

“Favorite Place” retrata também momentos mais íntimos. Apesar do conteúdo lírico explícito, é uma música novamente virada para o R&B em que o artista mostra a sua voz única e embaladora.

Como em seguimento da outra, Legend afirma que gosta de aproveitar cada momento e levar um dia de cada vez. “Slow Cooker” mostra que as coisas boas acontecem aqueles que esperam e não apressam as coisas. Tal como a anterior, esta música não seria a mesma se não fosse a voz grave e rouca do cantor.

O single tem o nome misterioso de “Conversations In The Dark”. Ao ouvir entendemos que as conversas no escuro são aquelas sobre assuntos tristes. É muito poderosa e faz pensar nas pessoas que amamos e naquilo que está ao nosso alcance para as fazer sentir melhor: e isso é o amor. Fazer uma pessoa sentir-se amada é algo que pode mudar tudo e ajudar a encontrar a luz no meio da escuridão. É a típica balada à la John Legend.

Apesar de tudo, a verdade é que mesmo no amor há problemas e discussões. Este é tema de “Don’t Walk Away”. O cantor pede para conversar em vez de se precipitarem para uma separação. A nível de produção musical tem o toque do Reggae graças à artista Koffee.

As seguintes faixas são colaborações que ficaram aquém das restantes. “Remember Us” conta com a participação da rapper Rapsody num estilo Jazz e “I’m Ready” é produzida por DJ Camper. Apesar de terem a voz de John Legend, ambas são um pouco monótonas, tanto a nível lírico como musical.

A voz conduz-nos até “Always”, uma espécie de carta de amor. O cantor diz que não consegue pensar em mais nada a não ser nesta pessoa especial. Inclusive declara que é o seu primeiro e único amor e que este sentimento vai durar para sempre.

Com “Never Break”, o álbum termina da melhor forma. John Legend mostra que este “amor maior” não se aplica apenas aos namorados e casais ou parceiros. O “amor maior” é aquele que nos faz querer agir e lutar. Este é o amor que temos pela nossa família e crenças.

No videoclipe partilhado no YouTube, vemos imagens somente de pessoas negras e pequenos excertos de manifestações por volta dos anos 50/60 contra a segregação racial. Isto veio na sequência das manifestações que ocorreram devido aos assassinatos injustificados de pessoas negras nos Estados Unidos da América por agentes da polícia. A mensagem da música é que com amor e vontade é possível conquistar coisas imateriais, como direitos humanos iguais para todos.

As faixas “One Life” e “Focused” são aquelas que não acrescentam muito ao conjunto. São parecidas musicalmente e possuem a mesma ideia de aproveitar todos os momentos e levá-los com alegria.

Depois de ouvir as 16 faixas, a vontade que fica é de abraçar aqueles que amamos. John Legend nunca falha quando se fala de sentimentos e conseguiu transportar muita carga emocional para este álbum. Ficamos a perceber que amor é tudo o que precisamos e que mostrar aquilo que sentimos e ser gratos não custa.