Dia 29 de maio, Lady Gaga lançou o tão antecipado álbum, Chromatica. O sexto álbum de estúdio da cantora é um regresso às origens de Pop, Electropop e EDM, trata-se de um projeto produzido por Gaga em colaboração com grandes nomes do Pop internacional.

Depois do álbum Artpop (2013), Lady Gaga pareceu afastar-se do estilo Eletrónico pelo qual era conhecida, optando por estilos que colocam a sua capacidade vocal em primeiro plano. Em 2014 lançou Cheek to Cheek, um álbum de Jazz em dupla com Tony Bennett e em 2016 lançou Joanne, um álbum com influências Country e Rock, repleto de baladas. Lady Gaga viu ainda um dos seus maiores picos da sua carreira com Assim Nasce Uma Estrela (2018), uma época onde, mais uma vez, a voz incrível de Gaga foi protagonista.

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Após sete anos, Lady Gaga prometeu voltar aos bares e às pistas de dança. Como prometido é devido, todas as músicas em Chromatica têm um lugar nas festas de 2020, não recomendadas pelo SNS. Apesar dos sons serem distintamente up-beat, o tema lírico do projeto é definido por um sentimento de emancipação feminina, depressão e alcoolismo. Lady Gaga pretende mostrar a importancia de continuar a dançar e lutar pela felicidade, mesmo em momentos difíceis.

O projeto adiciona 13 músicas originais e três interlúdios ao catálogo musical de Lady Gaga, tendo uma duração próxima de 45 minutos. O álbum encontra-se dividido em três atos, que são introduzidos pelos interlúdios – “Chromatica I”, “Chromatica II” e “Chromatica III”. Estas faixas divergem do tema sonoro das restantes, uma vez que são produções orquestrais, majestosas e calmas, contrastando as batidas intensas e eletrónicas das demais.

Os interlúdios servem de introdução para cada ato, mas também para as músicas que se seguem, criando uma experiência imersiva para o ouvinte. As transições entre os interlúdios e “Alice”, “911” e “Sine From Above” são um dos vários pontos de referência no álbum. Especial atenção para o momento em que “Chromatica II” se funde com “911”, algo que não passa despercebido a ninguém.

A divulgação do projeto começou em janeiro com o lançamento do primeiro single, “Stupid Love”. Os little monsters podem ouvir Gaga num tom elevado de felicidade com influências de Pop clássico, com elementos novos que juntos criam um hit contemporâneo. O álbum tinha lançamento previsto para início de abril, no entanto, a situação norte-americana do COVID-19, levou Lady Gaga a adiar o processo.

Chromatica conta com a colaboração de Ariana Grande em “Rain On Me”, Elton John em “Sine From Above” e Blackpink em “Sour Candy”. Desta forma, Lady Gaga tem, respetivamente, uma das maiores popstars atuais, uma lenda do Rock do passado e um dos maiores grupos de K-Pop, como apoiantes na divulgação da sua discografia.

Desde o seu lançamento como segundo single do álbum, “Rain On Me” tem sido um sucesso internacional elevando as carreiras de Lady Gaga e de Ariana Grande. A faixa mantém o tema geral do projeto, felicidade na adversidade e alcoolismo. Tanto Gaga como Grande afirmam ter passado por momentos difíceis com a bebida. No verso “I’d rather be dry but atleast I’m alive, Rain on Me”, a “chuva” representa tanto lágrimas quanto álcool, mostrando que, apesar de ambas estarem em situações difíceis, apercebem-se que estão vivas e isso é que importa.

O prémio de “maior reviravolta” vai para “Fun Tonight”. Num álbum onde a música Eletrónica é a estrela, seria de esperar que a faixa com este título fosse o pináculo que representa o álbum como um todo. No entanto, “Fun Tonight” é o mais próximo de uma balada neste projeto com o refrão “I’m not having Fun Tonight”. A música começa num tom calmo e melancólico, mas termina num estilo leal a Chromatica.

Em termos de letra, parece que se trata de uma carta aberta tanto ao público quanto a si própria. Lady Gaga refere que já pensou em desistir da fama várias vezes e que em momentos de dor sente que ninguém, nem o seu “eu famoso”, se preocupa com a sua saúde mental, “You love the paparazzi, love the fame, Even though you know it causes me pain, I feel like I’m in a prison hell”.

Um dos pontos altos do álbum é também o fim, com a música “Babylon”. Esta faixa transmite uma energia exótica que, em conjunto com o conteúdo lírico, transporta o ouvinte à Babilónia. Este tema é ainda exaltado com uma batida contagiante que dá vontade de desfilar e participar numa sessão fotográfica.

Lady Gaga utiliza as expressões homófonas “Babylon” (Babilónia) e “Babble On” (“contínua a falar”) para mostrar que se deve viver a vida sem prestar atenção ao que os outros dizem. Gaga chama tambem o público a aproveitar a festa como se fosse a última, “We only have the weekend, You can serve it to me ancient city style” e “Strut it out, walk a mile, Serve it ancient city style, Talk it out, babble on, Battle for your life, Babylon!”.

Este álbum enquadra-se perfeitamente na discografia de Lady Gaga e é uma representação daquilo que é enquanto artista, isto é, uma popstar que rema sempre contra a maré. Se o que está nas altas é Pop, Lady Gaga lança um álbum Jazz, se o público diz que a carreira dela está no fim, Lady Gaga é protagonista num dos maiores sucessos cinematográficos de 2018 e com Shallow bate o record de “música mais premiada de sempre”.

Finalmente, se Hip-hop e Trap são os géneros musicais com mais sucesso em 2020, Lady Gaga lança Chromatica. Em tempos controversos para a humanidade, Gaga lembra-nos que mesmo em maus momentos, dançar, cantar e ouvir música são essenciais. Mantendo-se fiel à luta pela igualdade e justiça mundial, na promoção do álbum, Lady Gaga afirma que “em Chromatica não há uma coisa que seja maior que outra”.