Pick Me Up Off The Floor é o mais recente álbum de Norah Jones. A voz inconfundível da artista brilha num projeto marcado pela melancolia.

A presença da Jones na indústria musical sempre se provou coesa, sólida, criativa e poética, acima de tudo. A simplicidade da artista é o que mais prende a atenção. Cada trabalho precisa apenas de uma boa composição para triunfar- a performance vocal e os arranjos transformam as melodias em autênticas obras de arte.

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Pick Me Up Off The Floor não fica atrás. O timbre tão singular de Norah, as cordas e o piano envolvente são os elementos que fazem parte da extraordinária capacidade da artista em tornar tudo o que é seu reconhecível e sedutor durante todo o tempo. Cada detalhe das faixas do álbum não passa despercebido e merece ser escutado com atenção. Norah Jones entrega um projeto repleto de influências Country, Jazz, Blues, R&B e Folk.

How I Weep” é o tema que abre o disco e fala, no tom sereno característico da artista, de perda. A sonoridade é essencialmente minimalista, com a voz de Jones em grande plano e produzida numa travessia entre o piano e instrumentos de orquestra.

Os arranjos dão um tom intenso a “Flame Twin” e o piano engrandece a voz. O estado de espírito melancólico é sentido em todo o projeto, em especial nesta faixa e em “Heartbroken, Day After”. O violino confere-lhe um toque único que em tudo combina com a artista.

Hurts To Be Alone” é um dos temas que mais se destaca no álbum. O piano é, novamente, o grande destaque da composição que, aliado a uma leve percussão, leva a voz da artista ao pódio. A produção melódica e harmónica são das melhores em todo o projeto.

A guitarra, os elementos clássicos e o ritmo Blues ganham destaque em “Say No More”. A melodia é fácil de memorizar, suave e torna-nos muito recetíveis ao resto do álbum. Apesar de sermos maioritariamente captados pelo piano em todo o álbum, o saxofone é um dos elementos que mais seduz na faixa, nomeadamente na introdução.

This Life” e “To Live” distinguem-se dos restantes temas pelo protagonismo que os back vocals ganham. A composição lírica é um dos grandes atributos de Norah Jones e estas duas faixas são bons exemplos disso.

I’m Alive” contrasta com “Were You Watching?”. Se a primeira é uma faixa poderosa que vai crescendo em ritmo, a segunda é das mais melancólicas em todo o trabalho e não é, de todo, uma faixa memorável. O mesmo acontece com “Stumble On My Way”. A voz da intérprete entra penetrante, mas o tema perde a força à medida que avança.

Pick Me Up Off The Floor chega ao fim com “Heaven Above”, um tema vulnerável, sensível e emocional. A aura quase angelical de Norah Jones ganha destaque neste último tema em que as cordas e o piano revelam a honestidade, fragilidade e a essência musical da artista.

Jones continua igual a si mesma, o que não é nem mau nem bom. O disco não surpreende e deixa a sensação de já se ter ouvido aquela música anteriormente. Todos os temas são mais do mesmo, não acrescentam nada de novo ao que já ouvimos e conhecemos.

Contudo, o mais recente debut de Norah Jones é um dos melhores dos últimos anos da carreira da artista. Ao espelhar a magia que prendeu o público nos anos 00’s com o tema “Don´t Know Why”, é a prova de que ainda tem muito para contar.

A verdade que transparece nas letras, a subtileza da melodia e o poder da voz envolve qualquer um na arte da cantora. A versatilidade, o relacionamento intimista com a música como intérprete, compositora e instrumentista fazem deste um disco imperdível e de Norah Jones uma artista com um potencial admirável.