Há 70 anos neste mesmo dia nascia um dos nomes maiores da música portuguesa. Jorge Manuel d’ Abreu Palma – ou “só” Jorge Palma – conta com um batalhão de trabalhos e outro de fãs.

O músico barra cantor barra compositor iniciou-se no mundo da música com seis anos. Atrás do piano vai crescendo e acumulando alguns prémios. Na adolescência descobre a guitarra e o Rock.

The Dandy foi o primeiro grupo em que Palma se integrou. Seguiu-se Black Boys e os Jets, onde as teclas foram as suas melhores amigas. Dos Jets formou-se o grupo Sindicato pela altura em que estudava engenharia. Em 71 o grupo dá o último concerto e Jorge Palma lança-se “sozinho” à estrada.

Sozinho entre aspas. Palma surge num contexto musical especialmente rico. O Rock crescia a olhos vistos, a música de intervenção idem aspas. João Maló, Eduardo Oliveira – ou Necas, se preferirem -, Vítor Mamede entre outros, foram alguns dos nomes que se foram cruzando com o de Jorge Palma.

The Nine Billion Names of God é o primeiro single. Ary dos Santos entra em cena e um ano depois é lançado o primeiro EP. Entretanto eclode a guerra colonial mas para Palma, guerra “” entre as suas duas almas. Dinamarca foi o destino. Trabalhou num hotel e compôs música no tempo livre.

Em 1975 ainda com o espirito revolucionário vivo em Portugal, Palma volta ao país. Por entre arranjos para vários outros nomes canta “O Pecado Capital” com Fernando Girão e “Viagem” a solo no Festival da Canção.

Os anos 80 foram marcados por dois anos em Paris, um punhado cheio de projetos, um outro de prémios e ainda com uma forte aposta na formação musical. A década entre pautas, composições e uma soma maior de nomes portugueses a passar pelas mãos corre veloz. O Pop- Rock a Música Erudita e o Jazz compõem a banda sonora destes anos de Palma.

Nos anos 90 o ritmo frenético acalma um pouco ao início. Jorge Palma volta-se para si mesmo e lança o álbum “”. Em 1993 um novo álbum de revista seguido por 2 anos de concertos. Concertos pode muito bem ter sido, aliás, a palavra da década para Palma. Integra em 1996 o grupo Rio Grande e faz um monte de trabalhos “à parte” em teatro.

Jorge Palma destaca-se no panorama musical português pela quantidade e qualidade de projetos que integrou e deu à luz. Cantava e escrevia em inglês antes de ser o sucesso lusitano que hoje é. Com Todo o Respeito foi lançado em 2011 e é, à data, o último projeto do lisboeta. Com 70 anos, cravo ao peito e cigarro na boca, Jorge Palma não para e continua a influenciar miúdos e graúdos.