“A morte do desporto amador”, teme Pedro Faia.

O impacto da Covid-19 no desporto foi o tema da sessão que decorreu na sexta-feira, pelas 21 horas com transmissão em direto no Facebook da Cidade Hoje. O debate serviu para apresentar ideias e avançar algumas perspetivas sobre o futuro do desporto nas diferentes modalidades.

O debate, promovido pela Cidade Hoje, contou com vários convidados. Entre eles, Mário Passos, vereador municipal responsável pelo desporto; Cristina Azevedo, vice-presidente do Famalicense Atlético Clube; Ângelo Lopes, presidente do Riba de Ave Hóquei Clube; Márcio Sousa, presidente da Associação de Futebol de Salão Amador; e Pedro Faia, diretor técnico do Grupo Desportivo de Natação.

O primeiro interveniente foi Mário Passos, que referiu que a Câmara Municipal sempre esteve disponível para ajudar os clubes que viram as competições interrompidas com a pandemia. Entre muitas medidas, o vereador aponta que se “manteve os apoios financeiros”, e que toda a estrutura da câmara trabalhou em prol de assegurar que as estruturas dos clubes se mantinham estáveis.

Já Cristina Azevedo, que faz parte da direção do Famalicense AC, afirma que, com toda a esta situação, “o barco quase tombou”. O clube conta com mais de 500 atletas em diversas modalidades. A vice-presidente considera que a situação desmotivou o clube e também os atletas, especificando o caso da equipa de voleibol que sofreu um grande impacto estrutural e financeiro. Já para o hóquei em patins, Cristina Azevedo tem uma visão mais positiva em relação ao regresso da competição.

Márcio Sousa, presidente da Associação de Futebol de Salão Amador, admite “não estar à espera” do desfecho desta situação. O presidente agradeceu o esforço da Câmara Municipal e assume que o futuro será promissor. Apesar das “variadíssimas reações” face à paragem do campeonato, todos os atletas cumpriram as regras e fizeram com que essa “paragem fosse a melhor decisão”.

Já a falar pelo Riba d’Ave HC, Ângelo Lopes, presidente do clube, diz ter sido complicado porque “o clube parou autenticamente, não houve qualquer tipo de atividade nem de receita”. Contudo, fala um pouco sobre as despesas fixas que foram precisas cobrir relativas ao pavilhão desportivo. O presidente também afirma que a paragem foi “a melhor decisão que poderíamos tomar”. O clube prepara agora a retoma gradual das competições, com várias limitações.

Este ano, o Riba d’Ave HC não foi às competições europeias por falta de dinheiro e correm, agora, novamente o mesmo risco. O pavilhão do clube tem que sofrer alterações, nomeadamente nos balneários, para que se possam cumprir todas as regras sanitárias. Ângelo Lopes referiu que o “plantel está construído, numa lógica de continuidade, numa aposta em jovens valores”. Acrescentou que a “ambição será lutar pela permanência, sabendo que vai ser uma época extremamente difícil, não só no plano desportivo, como também no financeiro”.

Pedro Faia, diretor técnico do Grupo Desportivo de Natação, refere que todos os objetivos próximos dos atletas “foram por água abaixo”. Apesar de o clube ter mantido contacto diário com os atletas de competição, os treinos à distância foram complicados. O diretor ainda disse que todas as complicações impostas pela pandemia foram quase “a morte do desporto amador”, pois não se consegue avaliar as consequências de toda esta situação.