Repleto de fantasia, melodia e harmonia, Dreams é o 11º álbum de Gábor Szabó. Esvoaçando algures entre o Rock Psicadélico e a Música Tradicional Húngara  passa ainda pelo Jazz e por influências clássicas. Contudo, é o toque singular do guitarrista húngaro que consegue enfeitiçar esta fusão de estilos e o que torna este álbum uma experiência auditiva inigualável.

Em “Galatea’s Guitar”, primeira faixa do álbum, o ouvinte é transportado. Como se guiado pela deusa da mitologia grega – a que Szabo vai buscar o nome- entramos para uma verdadeira carruagem sonora puxada por golfinhos num oceano musical pacífico, cheio de vida.

carlopasceri.it

Half the Day is the Night”, por sua vez, embala quem escuta numa elaborada transição sonora de cores e ritmos que simulam na perfeição o pôr-do-sol que dá lugar a uma noite estrelada. É a prova de que a maturação técnica e compositória podem fazer maravilhas ao trabalho artístico.

Song of Injured Love” aproveita a atmosfera prévia para nos ambientar para uma dose emocionante e intensa de melancolia e paixão. Constrói mais uma vez melodias e ritmos que exploram equilíbrios e contrastes musicais quase antagónicos mas de uma beleza única.

The Fortune Teller” deixa entrar alguma ansiedade na mistura e parte para um estilo mais agitado. É uma viragem súbita que explora muito mais as influências de Rock Psicadélico com uma base mais tradicional da música Folk húngara. Serve, adequando-se ao título, de premonição para o restante conteúdo do álbum.

Fire Dance”, por sua vez, traz a bola do Jazz ao já intenso malabarismo musical que decorre em Dreams, e em particular na segunda metade do álbum. Aproveita para brincar também com um momento orquestral mais intenso antes de voltar a águas passadas.

The Lady in the Moon” parece voltar às influências das primeiras faixas, mas revela-se mais do que isso. Com melodias que relembram quase a Bossa Nova, é aqui que se dá o pico de Jazz de Szabo. Conta também com outra bem-sucedida transição sonora que relembra a sensação de voar pelo meio das estrelas com o constante vislumbre da lua.

Ferris Wheel” termina esta jornada com uma sonoridade hipnótica que combina um solo fantástico de altos e baixos com um zunir rítmico. Esta faixa fica marcada pela belíssima ocasião onde a paisagem sonora é invadida por ondas de violino, que simbolizam o último grande momento musical, antes de a melodia abrandar e a jornada acabar.

Dreams conseguiu marcar uma época e manter-se intemporal. Combinando a sintonia entre os vários músicos para criar paisagens cheias de cor com uma mestria musical difícil de encontrar, é um pedaço de história e de cultura que vale a pena recordar.