Look For The Good é o mais recente álbum de Jason Mraz, o sétimo da carreira. Carregado de boas energias, a mensagem de amor e união é clara.

Durante quase duas décadas, o artista norte americano tem sido conhecido por trazer músicas leves e frescas, daquelas que nos fazem sentir bem. Com influências que distam desde a música Brasileira até ao Jazz e Reggae, a mensagem em todos os temas é clara: espelhar positividade. Faz sentido, então, que os lucros do projeto sejam doados a organizações sem fins lucrativos.

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As expectativas do público eram altas e o músico não desiludiu. Numa proposta bastante coerente com o resto do percurso feito até então, Mraz entrega um disco que espelha a singularidade e veracidade na voz e nas letras. Conta com a colaboração do ícone jamaicano do Reggae, Sister Carol, e da estrela de TV, cinema e comediante, Tiffany Haddish.

Look For The Good” é a faixa-título que abre o disco. A mensagem que se pretende transmitir não pode ser mais evidente- procurar o bem- e a energia a que Jason tanto habituou os ouvintes não podia estar mais presente.

O lema é comum, mas nunca é demais uma canção que proclame a paz no mundo. Acompanhada por baixo, saxofone e harmonias que em tudo combinam com Mraz, “Make Love” cumpre exatamente esse requisito. Perante o cenário tão caótico que o mundo atravessa, é importante que esta mensagem seja partilhada.

A sonoridade de “My Kind” afasta-se de toda a proposta do álbum. É bastante marcada pelos back vocals, mas o ritmo mais acelerado não favorece, de todo, aquilo que o intérprete pretende transmitir. Ao fugir do próprio estilo, parece uma faixa sem muito conteúdo que dá a sensação de efeito chiclete. O mesmo acontece em “Hearing Double “. É uma abordagem mais criativa, com uma energia bastante divertida em que muitas palavras são repetidas, mas que não funciona bem.

Em tudo contrasta com “DJ FM AM JJason”, outra faixa quem que o músico ousa na produção. A realidade é que todas as restantes músicas podem soar um tanto repetitivas, mas o ritmo diferente e os vocais mais abafados aqui presentes são a combinação ideal numa faixa que, simultaneamente, tem tudo e nada que ver com Mraz.

O meio termo é indispensável. Mudar nem sempre é sinónimo de fazer as coisas mal ou bem. É necessário arriscar e trazer propostas mais diversificadas, desde que se mantenha sempre a essência do artista. Uma das maiores surpresas do projeto aparece em “You Do You”. A colaboração de Tiffany Haddish é essencial. A voz da atriz dá uma presença imensa à canção, na medida em que os versos por ela rimados contrastam com o tom delicado de Jason.

Wise Woman”, por outro lado, é uma proposta bastante fiel ao estilo do intérprete. Arriscou e acertou em grande numa faixa em que o Reggae é protagonista. A evolução da canção é perspicaz: a melancolia introduzida pelo piano rapidamente se desvanece num instrumental alegre marcado pelo baixo e, como não podia deixar de ser, os back vocals. A voz de Mraz em tudo combina com o pano de fundo, o que faz deste um dos melhores temas do álbum e revela a consistência e sensibilidade do artista.

O ponto forte de Jason é, sem dúvida, a variedade e verdade lírica, acompanhadas pela simplicidade da voz. O timbre do cantor tem a extraordinária capacidade de prender quem o ouve nas suas canções, qualquer que seja o tema. “Good Old Daze” é um bom exemplo.

A bateria confere um toque especial a “Take The Music”, que em muito se parece com o resto do álbum. A voz de Jason está no ponto. As harmonias, a letra simples, a produção do som e o ritmo são os (restantes) ingredientes chave que engrandecem esta faixa, em especial.

Há outro nome de peso a aparecer no álbum. Desta vez é Sister Carol em “Time Out”, que transparece o lado mais sensível de Jason Mraz. A energia que expõe é bastante semelhante à de “The Minute I Heard Of Love “. Esta última resgata a essência de Reggae e Blues, estilos tão peculiares do intérprete. É intensa, mas carrega consigo, ao mesmo tempo, uma leveza que fascina.

Face a tantos apelos ao amor e união, era praticamente impossível terminar o álbum sem cantar acerca de gratidão. “Gratitude” é, liricamente, das composições mais honestas e puras em todo o disco, apesar da semelhança no instrumental com as restantes.

Termina por ser justamente a compilação de todo o trabalho feito anteriormente. O cantor fala de todas as experiências que viveu, do quanto é grato por elas e como as mesmas o moldam. Uma mensagem que, sem dúvida, deveria estar presente em todos nós.

Com as suas raízes no mundo da música já bem vincadas, o artista tinha o caminho bem traçado. O resultado foi um álbum despido de preocupações em que a mensagem é explícita: procurar sempre o bem.

Em Look For The Good, Jason Mraz prova, novamente, ser um músico por inteiro e cumpre com a proposta de trazer algo de positividade aos desafios que enfrentamos atualmente. Apesar não de não ser um dos trabalhos mais marcantes da carreira do artista, tem os seus pontos fortes e proporciona uma boa experiência a todos aqueles que o ouçam.