A Rainha do Fado dispensa bem de apresentações. Amália Rodrigues nasceu no Fundão, no seio de uma família humilde no dia 1 de julho, apesar de apenas ter sido registada no dia 23 do mesmo mês. “Antigamente era assim” dirão.

Dividida entre as Beiras e Lisboa, o Popular sempre esteve no ouvido e voz de Amália. Simples, reservada e a princípio tímida, cresceu a cantar para a família e vizinhos. Antes de ser símbolo foi bordadeira. Na carreira contam também entradas como engomadeira e tarefeira – tinha de se viver.

Santo António e as marchas populares foram a maior rampa de lançamento. Seguiu-se a tão Popular Revista e, por consequência (direta ou indireta pouco importa) o Teatro. Dos bairros de Lisboa sai para o Mundo e na voz leva a Saudade e o Fado – “portuguesa com certeza”.

Nos tempos de ida e de volta brilha e encanta todos os que têm a sorte e de alguma forma ousadia de com ela se cruzar. Brasil, Roma, Nova Iorque, Paris, Londres e muitas outras cidades são e fazem a bagagem de Rodrigues. Vai somando mecenas numa lista encabeçada com nomes tão (se calhar menos) influentes na cultura portuguesa como Amália se tornará.

Participa em filmes ao passo que grava discos – na conta das 3 dezenas, singles e Ep’s à parte, gravados tanto em Portugal como fora- enquanto os bordados por casa da avó ficaram. Do poema e do Fado faz voz e intervenção. Fado de Peniche é censurado na primeira volta, mas os cravos acabariam por o libertar. A luta pela liberdade foi também uma luta de Amália, tendo sido apoiante da ala comunista.

De mãos dadas com Fernando Pessoa, Camões e outros que tais – não fosse o Fado e a Poesia tão parecidos – Amália é uma das figuras que levou Portugal ao mundo: num bom sentido. Fado é Destino e é Sorte. E sem dúvida nenhuma que Portugal teve sorte em ter almas como a de Rodrigues para dar sentido a terras lusas.

Amália da Piedade Rebordão Rodrigues como foi batizada. Amália Rodrigues como ficou conhecida. Amália, só. Celebra-se não só hoje, não só dia 23 e muitos menos apenas no centenário que faria se o Destino não fosse curto. Celebra-se sempre que se pensa a cultura portuguesa.