Rhys Lewis lançou o seu primeiro álbum individual no passado dia 10. Things I Chose To Remember, repleto de renúncia e afeição, surge como um dos álbuns mais sinceros de sempre.

Ansiar por este trabalho revelou-se eficiente. A espera garantiu não só uma parte composta por 11 faixas, mas também uma segunda com mais seis músicas. No entanto, atrevo-me a dizer que ficar apenas com as últimas seis faixas seria o mais indicado, porque nelas assegura-se toda a essência do álbum.

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Para além deste inconveniente, a primeira parte assemelha-se a uma carta de um Romeo para uma Julieta. Porém, não se deixem enganar, o aparente final deste romance não será a morte. A carta preenche-se de tamanho sentimento, com ritmos calmos e melodias inquietantes, mas é visível a desistência de Romeo face ao seu amor pela sua Julieta.

Nesta possível carta encontramos de tudo, momentos de diretividade em que exclusivamente se “leem” sentimentos, sentimentos e mais sentimentos, partes que se apresentam mais fortes e impactantes e temos, também, ápices de esperança. As faixas (“Better Than Today”, “No Right To Love You” e “Hold On To Happiness”) que introduzem um ritmo mais cauteloso e monótono e que abraçam a voz do artista, como se fosse um poema, ilustram as alturas de maior expressão.

Aquelas (“When Was The Last Time?”, “What If” e “Be Your Man”),  nas quais a voz é mais trabalhada e sobressaí em contraste com a guitarra e o piano, são as que apresentam as emoções mais desconcertantes. Por fim, as músicas (“Under The Sun”, “Good People” e “Some Days”) que expõe a efémera esperança, são deveras ritmadas e o compasso é ágil e agitado.

Desta primeira parte as músicas que se distinguem são “When Was The Last Time?”, “What If”, “Good People” e “Be Your Man”. Exploram ao máximo a destreza e vivacidade da música de Rhys Lewis. Como se estas não fossem suficientes, o artista surpreende-nos com “Reason To Hate You”, no segundo fragmento do álbum.

Neste segmento composto por mais seis músicas, duas delas (“No Right To Love You”e “Be Your Man”) são repetidas, em acústico, da parte anterior, como se fossem um lembrete dos episódios anteriores. Arrisco-me a dizer que esta parte seria mais que suficiente para apreciar a arte do artista, porque nela habita toda a ousadia e sentimento de Things I Chose To Remember. De forma a dar continuação à carta, neste novo fragmento cessa o fim da expressão e são expostas as consequências dessa partilha em “End Like This”, “Reason To Hate You” e “Could’ve Been”.

Things I Chose To Remember, para primeiro grande trabalho de Rhys Lewis, aponta notoriedade e disciplina. Agora, a obrigação do ouvinte passa a ser exigir mais.