O projeto científico é designado por “TECA-PARK - Tecnologias de capacitação acústica para a assistência, monitorização e reabilitação de pacientes com doença de Parkinson”.

A Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) quer atrasar os efeitos da doença de Parkinson através de estímulos acústicos e monitorização. Para isso, recorre a um leitor de mp3 e a um smartwatch no pulso. O objetivo é ajudar os pacientes nos processos diários da reabilitação cognitiva e motora e no seu acompanhamento por cuidadores e médicos.

TECA-PARK tem a parceria das universidades Politécnica de Madrid e de Oviedo, em Espanha, e o apoio do Hospital Senhora da Oliveira e Lar de Santa Estefânia, ambos em Guimarães. A investigação em Portugal é coordenada por Pedro Arezes e Nelson Costa, do Centro Algoritmi da UMinho.

O projeto luso-espanhol inova ao usar objetos de uso frequente no quotidiano do paciente. Concede-lhe um kit de estimulação- leitor de mp3 com auriculares – para ouvir duas vezes ao dia uma estimulação de dez minutos – assim como um kit de monitorização – para realizar exercícios bissemanais. Tais suportes permitem a  recolha de informação e o seu envio para servidores, onde algoritmos relacionam os dados com a evolução dos sintomas do paciente.

Na UMinho, criou-se ainda uma ferramenta de monitorização do movimento, decisiva para perceber o efeito dos medicamentos na autonomia dos doentes. Ou seja, traz mais dados para a sua avaliação clínica.

A experiência já foi feita em Portugal, Espanha e nos Estados Unidos da América. O suporte foi validado com as associações Parkinson Madrid, Jovellanos, Aparkam e com o laboratório AgeLab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA.

Nos primeiros três meses deste ano realizaram-se sessões semanais com pacientes voluntários do hospital e lar de Guimarães, orientadas por Nelson Costa. No entanto, a pandemia interrompeu os trabalhos e as sessões foram poucas para saber se o estímulo acústico produz ou não efeitos retardadores. Ainda assim, os resultados prévios confirmaram que a ferramenta é útil para acompanhar a evolução da doença.

O uso de tecnologias inclusivas, não invasivas e de baixo custo é algo que os cientistas mostram interesse em querer continuar a investir. Principalmente se favorecerem a estimulação, monitorização e o acompanhamento, melhorando a vida dos doentes de Parkinson.

A fim de dar continuidade ao projeto, os investigadores garantem que vão prosseguir  “logo que possível” e admitem estar a preparar novas candidaturas a financiamento. A região transfronteiriça, na qual se insere o projeto, tem uma população tendencialmente envelhecida, dispersa em territórios rurais e com acessibilidade assistencial limitada a nível neuro-degenerativo. Aqui, a tecnologia poderá ter um impacto positivo nos pacientes.