Apesar de reconhecer as vantagens da H2Color-Aux, Jaime Rocha Gomes, fundador da Ecofoot, considera que o setor têxtil é “enorme e muito tradicional, não sendo fácil adotar novas tecnologias.”

Jaime Rocha Gomes, fundador da Ecofoot, explicou ao ComUM que a empresa surgiu em 2012 através de projeto de I&D do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil, 2C2T. Um projeto baseado na “ideia de sustentabilidade do processo de tingir, em que se utilizariam pigmentos híbridos à escala nano, em vez de corantes solúveis” para tecidos como o algodão. Além do mais, sublinha a importância de expandirmos a nossa noção de sustentabilidade.

De acordo com o fundador, a Ecofoot foi umas primeiras empresas a abordar este problema numa perspetiva do corante, “transformando-o num pigmento, teoricamente mais fácil de remover”. Sendo assim, em 2017, a empresa optou “por comercializar só as partículas poliméricas que complexam com o corante para formarem o “pigmento” com o corante já utilizado pelo cliente.” Desta forma não iria haver problemas de reprodutibilidade.

Foi com a proposta de tingimento H2Color-Aux que a empresa foi reconhecida pelo Conselho Europeu de Inovação no âmbito do Pacto Ecológico Europeu (Green Deal). Jaime Rocha Gomes avançou que “num programa bastante competitivo em que havia mais de 2500 candidaturas na fase II, das 64 empresas europeias que foram contempladas,” esta foi a única no setor têxtil.

O fundador explicou que os métodos tradicionais de tingimento levam ao gasto de “muita água e energia na sua remoção, tornando o processo pouco sustentável”. Por sua vez, a nova tecnologia de tingimento, a H2Color-Aux, “consiste num produto que complexa com o corante logo durante o tingimento, o que em si é original por não se aplicar após o tingimento, formando temporariamente um pigmento.”

Sendo assim, de acordo com o site oficial da Ecofoot, é possível economizar estimativamente 70% da água total utilizada, 60% da energia total consumida e 50% do tempo total gasto no processo. Para além disso, Jaime Rocha Gomes explicou que, indiretamente, o projeto, “ao poupar energia fóssil (nafta), diminui a libertação de CO2, contribuindo para a descarbonização.”

No entanto, Jaime Rocha Gomes admite que “o setor é enorme e muito tradicional, não sendo fácil adotar novas tecnologias.” Para além disso, apontou que “as empresas (têxteis) que não têm pressão por parte dos clientes no fator “sustentabilidade”, que incide principalmente na poupança de água, olham principalmente para os seus gastos e para a produtividade.” a H2Color-Aux permite o aumento da produtividade, um fator que, “quando a empresa está com a capacidade totalmente tomada, é muito importante.”

O fundador sublinhou ainda a importância de expandirmos a noção de sustentabilidade, uma visão que considera “ainda muito focada na reciclagem de materiais.” Apontou que o problema maior é “o dos recursos naturais, como os aquíferos.” Alerta assim para a “falta de água nos principais locais do mundo onde está instalada a indústria de tinturaria”, sublinhando que quem sofre com isso “são os agricultores e o mundo rural.”

De momento, a Ecofoot possui ainda um produto para a sustentabilidade do tingimento das misturas de poliéster/algodão, que está pronto a ser validado.  Encontra-se também a explorar uma variedade de funcionalidades, como o branqueamento, a desinfeção e a remoção de manchas com peróxido, protetores de cor, a aplicação como pigmentos no cabelo, a aplicação como nanopigmentos em tintas de impressão digital e a aplicação com pigmentos em tintas para automóveis.

De acordo com Jaime Rocha Gomes, a Universidade do Minho foi o “berço” do projeto Ecofoot. “Foi aí que nos surgiu a ideia, que se obteve o primeiro financiamento para um projeto de I&D, denominado Nanocor, e também os investigadores do projeto, os cofundadores e os primeiros quadros da empresa”, afirmou.

Considera que o mercado da indústria têxtil, “sendo a maior indústria empregadora do norte de Portugal e a maior exportadora”, deverá ser uma das áreas de investimento académico. Acredita também que a recente alteração dos cursos de engenharia para cursos de 3 anos em vez dos 5 anos dos Mestrados Integrados, “vem adequar melhor o curso e nomeadamente a sua duração, às necessidades do setor têxtil.”