Após o quinto álbum de estúdio Witness, a cantora norte-americana está de volta com Smile. Lançado a 28 de agosto tem como agenda mostrar o seu smile e inspirar o ouvinte a fazer o mesmo.

Inclui também neste novo projeto os singles “Harleys in Hawaii”, “Never really over” e “Daisies”. As três acabam por se destacar dentro do projeto em relação às restantes ainda que apenas “Never really over” tenha chegado aos charts.

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Sendo uma das maiores cantoras Pop da história e seguindo o seu álbum antecessor que, apesar de hits como  “Swish Swish” e “Chained to the Rythym”, deixou a desejar, as expetativas eram altas para o regresso. Infelizmente não foram atingidas.

O álbum acabou por cair no cliché de autoajuda em várias faixas não se expandindo para além disso. O próprio lead single “Smile” parece uma tentativa de atingir o sucesso da música “Happy” lançada por Pharrell Williams que dominou as rádios por todo o mundo. No fundo, é uma música Pop sobre aprender a sorrir.

“Resilient” é, como o nome indica, uma música sobre a resiliência e a força que a artista possui para renascer e crescer apesar dos desafios e obstáculos que passou: “you are gonna watch this flower grow through the cracks”. Apesar de ser uma boa música não é nada de novo, especialmente para Katy Perry, que já tocou neste tema várias vezes na sua carreira. Tanto é que a faixa anterior – “Daisies” – remete para o mesmo assunto sendo a diferença apenas na transmissão da mensagem. “Daisies” surge de forma mais vibrante com o instrumental de guitarra, os poderosos vocais da cantora e liricamente.

Há um destaque que se deve mencionar dentro de Smile que é “Cry About It Later”. Aqui somos tomados de surpresa pelo ritmo que vai crescendo e puxando-nos para ouvir mais, algo que não acontece em (muitas) outras faixas. Katy quer deixar os sentimentos negativos, mesmo que seja temporariamente, através do álcool afogando as suas mágoas para se divertir ao som da música I know tomorrow I’ll be left hungover”.

 Outro problema presente no álbum é a falta de coesão musical. Não há um tom de princípio ao fim, mas sim dois que batalham entre si para o foco. Isto acaba por prejudicar a receção das músicas, pois saltamos de uma música animada de Pop repetitiva para uma cheia de emoção e significado profundo. Isto acontece, por exemplo, no tempo de transição entre “Teary Eyes” e “Daisies”. No fundo, há uma disjunção no som pretendido para o projeto que não nos deixa disfrutar dele.

Por fim, Smile poderia ter sido completamente diferente se tivesse seguido como base músicas como “What Makes A Woman”, “Only Love” e outras presentes mais carregadas de som, valor e o espírito de Katy. No entanto, houve a clara produção de Pop feito à medida e “matematicamente” que foi adicionado na esperança de que a cantora as elevasse a número um danificando assim o potencial do álbum.