Charlie Sheen completa esta terça-feira, dia 3 de setembro, 55 anos. A celebrar o seu 55.º aniversário, o ator é um arquétipo de Hollywood bastante fiel à sua espécie. Às vezes, é comediante e, nos outros dias, sagra-se ator, guionista e produtor de cinema e televisão. Traz um Globo de Ouro no bolso, por Spin City (1996-2002), e é maioritariamente conhecido pela sua personagem Charlie Harper em Dois Homens e Meio (2003-2015).

Nasceu dia 3 de setembro de 1965 em Nova Iorque, filho de Martin e Janet Sheen, fruto do romance entre um ator que dava os primeiros passos na Broadway e uma ex-estudante de arte. Nove anos depois, Carlos Irwin Estevez recebeu o seu primeiro papel na representação, onde contracenou ao lado do pai no drama biográfico The Execution of Private Slovik (1974).

No auge do disco sound, as danças faziam-se ao ritmo de uma mirabolante folia de cores quando Sheen entrou no liceu. De um lado, trazia a mítica Super-8, com a qual produziu e participou em vários filmes amadores em conjunto com Sean Penn, Rob Lowe e vários outros amigos. Do outro, estabelecia recordes de uma vida no campo de baseball, chegando a um 40-15. Esta paixão viria a latejar em metragens como Major League (1989).

Contudo, o brilharete entre as câmaras e os tacos de baseball não se estendeu à sala de aula. À pala da falta de presenças e das más notas, Charlie viu o liceu por um canudo, quando foi expulso da escola semanas antes de se formar. Mas a cisma continuou e entre Red Dawn (1984) e papéis singelos em alguns filmes de televisão, Sheen viu finalmente a sua catapulta para o sucesso em 1986, com Platoon, que rendeu um Oscar ao diretor Oliver Stone.

Aproveitando o balanço, Stone convidou-o para o bem recebido Wall Street (1987), onde Sheen voltou a atuar com o pai. Com este papel criou esperanças para ser a grande estrela de Born on the Fourth of July (1989), mas foi Tom Cruise quem comeu o bolo e o americano só ficou a par da dramática notícia devido a um dos seus três irmãos, Emilio Estevez. Não estando nem aí, Sheen cortou relações com o diretor e conseguiu vingar-se em Young Guns (1988) e Hot Shots! (1991).

E, como se costuma dizer, é trabalhar muito para festejar ainda mais. Rei das festas, irlandês de coração (e fígado), Sheen não tardou em enveredar espiral abaixo, embalado por sexo, álcool e drogas. Numa altura em que parecia estar “possuído por demónios ou extraterrestres”, como conta ao USA Today, viu a fortuna da vida pessoal e o triunfo profissional a irem cano abaixo. A reputação estava no mesmo caminho: entre escândalos sexuais, denúncias de violação e de agressões físicas, a bagagem de Sheen não se destaca de muitos outros percursos feitos por Hollywood.

The Arrival (1996) e Shadow Conspiracy (1997) são séries que marcam essa fase melindrosa da vida do ator e produtor, adjacentes à pouca sorte e ao insucesso que pautavam a sua queda até ao fundo do poço. Antes do virar do milénio, Charlie foi hospitalizado em Thousand Oaks, Califórnia, na sequência de uma overdose quase fatídica. No mesmo mês, foi recambiado de volta para a instituição da qual houvera saído um dia depois de ser internado.

O relógio tocou as doze badaladas e, chegando a 2000, os holofotes deram outra oportunidade a Sheen. A participação na sitcom da ABC, Spin City (1996-2002), que durou inicialmente duas temporadas, foi o suficiente para lhe render um Globo de Ouro e a presença assídua na programação de segunda-feira à noite da CBS. No ecrã, passava Everybody Loves Raymond (1996) e depois foi a vez de Dois Homens e Meio (2003-2015), onde o ator partilhou leves parecenças com a sua personagem.

Para o futuro, avizinha-se Grizzly II, também com George Clooney e Laura Dern. Hoje, faz anos Charlie Sheen, o homem ao qual Donald Glover deu luz verde para dizer a palavra N. São mais de cinco décadas com muito que se lhe diga, quatro das quais passadas na sinuosa azáfama dos ecrãs, dos tribunais e de vários psicadelismos.