A oitava gala dos Prémios Sophia aconteceu esta quinta-feira à noite, promovida pela Academia Portuguesa de Cinema. A Herdade (2019) arrecadou o prémio de Melhor Filme e mais seis galardões. A equipa de Variações (2019) levou também sete estatuetas para casa.

A cerimónia foi apresentada por Ana Bola e Joana Pais de Brito no Salão Preto e Prata, num cenário psicadélico, que acolheu ainda os 50 anos do Centro Português de Cinema. Atuações de Sérgio Godinho, Manuel Freire e Paulo de Carvalho com Agir deram som à retrospetiva da primeira cooperativa de Cinema em Portugal. Os vencedores foram continuamente apresentados, em tragos curtos de poesia, por diversos apresentadores e a história do cinema português foi relembrado ao longo da noite.

Numa noite em que se celebraram os sonhos num meio “castigado por tantas dificuldades”, como disse António-Pedro Vasconcelos, quando recebeu o Sophia Carreira, também houve espaço para homenagens. Gaspar Varela reinterpretou “Canção de Embalar”, de Carlos Paredes, com as cordas da guitarra portuguesa. Recordaram-se talentos que partiram, desde José Mário Branco e Maria José a Filipe Duarte. Também Alfredo Tropa recebeu uma homenagem póstuma, com o primeiro Prémio Sophia Carreira da noite. O último Prémio Sophia Carreira foi entregue a Fernando Matos Silva.

O Presidente da República abriu a cerimónia a partir do ecrã, em plano americano. Além de mencionar o talento de Ana Rocha de Sousa premiado em Veneza, Marcelo Rebelo de Sousa disse saber ver o “reverso da medalha”. Isto é, “os problemas legais, as questões burocráticas, os entraves orçamentais e a falta de sensibilidade cultural e política” que se opõem à produção cinematográfica, acrescentando agora a agravante da pandemia.

Paulo Branco, produtor, encheu a sala com a verdade pura e dura das condições que o cinema atravessa. Recusando receber o prémio de Melhor Filme, denunciou as “pequenas guerrilhas”, “pequenos golpes” e invejas entre os profissionais do setor. “Não levo o prémio, levarei para o ano se alguma coisa mudar entre nós todos”, declarou.

Até lá, a resiliência, que “sempre foi palavra de ordem no cinema português”, disse Joana Pais de Brito, manter-se-á. E o serão de quinta-feira foi passado a celebrar a garra e a dedicação de quem faz vida de uma sétima arte frágil em Portugal.

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