São nove as faixas que compõem o novo álbum de Victoria Monét. Jaguar é a confirmação do talento da artista que o público tem sido testemunha ao longo dos anos e prova que Victoria veio para ficar.

Vivia atrás dos holofotes enquanto compositora, mas a 7 de agosto Monét deu a conhecer ao mundo um pouco mais de si com Jaguar. Em pouco mais de 25 minutos, ouvimos um álbum repleto de ferocidade, intensidade e sedução.

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Victoria Monét é um nome bastante conhecido para os fãs de Ariana Grande. Compôs temas como “Thank You, Next”, “Be Alright” e “7 rings” – bastante aclamados pelo púlico e críticos tendo todos eles atingido o topo. Aos poucos, a compositora tem vindo a libertar-se da jaula e, desta vez, surpreende com o feroz Jaguar.

No novo projeto, Victoria deixa de escrever para alguém e passa a escrever para si própria, uma transição que permite aos ouvintes conhecer mais a artista. Afinal de contas, é a oportunidade da cantora e compositora afirmar-se ao contar as suas histórias através da própria voz.

Um mix de Soul e R&B, Jaguar explora as mais diferentes produções, ritmos e batidas com um equilíbrio e coesão que são de aplaudir. Nada está em demasia, muito pelo contrário, chegamos ao fim do álbum com vontade de mais.

A subtileza da voz de Monét é o que mais apaixona e o que realmente confere uma personalidade diferente ao álbum. Quer seja combinada com arranjos de cordas ou baixo, a voz da artista faz-se sentir em todo o projeto.

Arrojada, “Moment” é a faixa que abre o álbum. Tem momentos em que parece tirada da banda sonora que acompanha o vilão num filme da Disney sendo a escolha ideal para iniciar um álbum repleto de garra como este.

Se há algo que marca o álbum é a sedução: nas letras, na melodia e na voz. “Big Boss” e “Touch Me” são bons exemplos sendo ambas donas de ritmos hipnotizantes. “Dive” é também sensual e surpreende nos momentos finais com o instrumental mais clássico.

Dizem que a simplicidade é a chave e “We Might Even Be Falling In Love” é a prova. Não existe uma combinação melhor neste álbum do que a voz tão serena de Victoria com os instrumentos de sopro. O problema está na duração: 52 segundos não são suficientes para apreciar o quanto o instrumental e o timbre da artista combinam.

Se o tema anterior funciona quase como uma pausa emocional, “Jaguar” é a fera do álbum. As trompetas, de braço dado com um ritmo que alude aos anos 80 e uma letra bastante cuidada, fazem maravilhas. Atrevimento é uma das palavras que melhor se aplica. Igualmente, “Experience” entra energética. É a típica música que fica presa na cabeça do ouvinte.

Apesar da mensagem mais superficial que “Ass Like That” transmite – a de um culto ao corpo ideal – são as inseguranças e o amor próprio que estão na base da letra. A energia mais frenética do tema contrasta com “Go There With You”, uma faixa bastante mais vulnerável vincado pela voz de Monét, os back vocals e o saxofone.

Jaguar é um trabalho que concentra em si todas as influências que Victoria Monét assimilou desde que entrou no mundo da música, convertendo-as quase numa imagem de marca. Trata-se de um álbum com discursos bastante potentes em questões sexuais, da mulher e de amor próprio.

Nada aqui é deixado ao acaso. Monét entrega um projeto bastante detalhista, o que se repara pelas várias camadas instrumentais, harmonias ou arranjos. Eficiente em toda a sua execução e bastante satisfatório de se ouvir, é uma compilação que nos deixa com água na boca.

Victoria Monét entrega Jaguar como uma das propostas mais interessantes e promissoras de 2020. É um trabalho que certamente lhe abrirá caminho para futuros lançamentos.