Uma “leitura possível sobre os factos” da vida do artista são narradas ao longo de 140 páginas.

“António Variações-Uma biografia” é o nome da biografia ilustrada sobre o músico de Amares. Pronta a publicar surge, esta semana, e é da autoria de Bruno Horta, contando ainda com as ilustrações de Helena Soares, nesta que é uma nova interpretação da vida de Variações.

Na obra, Bruno Horta junta acontecimentos biográficos, testemunhos de António Variações recolhidos na imprensa da altura e letras de várias canções. O livro termina com uma cronologia e as fontes bibliográficas redescobrindo o artista depois de muitos anos desde a sua morte.

Desafiado pela Suma de Letras a escrever uma biografia sobreo cantor, o jornalista Bruno Horta aceitou o desafio que se junta a outros títulos já lançados pela editora dedicados, por exemplo, ao guitarrista dos Xutos e Pontapés Zé Pedro e ao cantor Freddy Mercury. Depois de várias pesquisas e análises Bruno Horta concluiu que António Variações “procurou a expressão artística como algo fundamental para si, não inserido numa corrente estética nem em algo que pudesse ser visto”.

“Temos tendência para a olhar para o António Variações como artista. É óbvio que é a faceta dele que se tornou pública. Eu tentei demonstrar que há um antes e um depois de 1976, ano em que regressa a Portugal depois de ter vivido em Amesterdão. É a partir dessa altura que o António Rodrigues Ribeiro dá lugar inteiramente ao músico, embora só venha a editar três ou quatro anos depois”, justifica o autor da obra.

Na busca para este livro, Bruno Horta deparou-se ainda com uma referência de Variações nos arquivos da polícia política do Estado Novo, num documento sobre a “identidade completa e o porte moral e político” do pai do músico, que executou funções públicas. No livro, o autor faz referência ao relatório que falava sobre cada elemento da família, incluindo o próprio António Variações. Ficou concluído que, aos olhos da PIDE, “não criam obstáculos à ação do Estado Novo”.

“Hoje, em 2020, olhamos para o António Variações como alguém que expressou a sua autenticidade, foi muito íntegra consigo mesma. Na época era descrito como excêntrico. Ele é visto hoje como uma pessoa que viveu com uma integridade muito grande”, sintetizou Bruno Horta.