Bryson Tiller lançou no passado dia 2 de outubro o terceiro álbum de estúdio: Anniversary. Numa clara celebração ao que hoje é, o artista não deixou os seus fãs pendurados.

Foi no final do mês passado que Bryson Tiller lançou o novo trabalho. Para aqueles que conhecem Tiller desde 2015, tudo neste álbum tem um propósito. Desde o título à construção da arte da capa do álbum, o cantor de R&B americano não deixou significados cair por terra.

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A 2 de outubro de 2015, Bryson Tiller lançou Trapsoul, o seu primeiro álbum. Até hoje, é considerado um dos melhores álbuns da expressão do R&B contemporâneo e um projeto que abriu inúmeras portas. Agora, em 2020, e com o projeto Anniversary, o intérprete muda títulos, posições e cores na capa para conceber uma ideia: celebração.

Se analisarmos a capa de Anniversary conseguimos identificar as semelhanças com Trapsoul. De outra perspetiva, com a cor azul e o título modificado, Anniversary pretende entregar uma ideia de evolução pessoal e musical que Bryson sofreu. A questão que paira no ar é se esse objetivo foi devidamente cumprido.

Claro que, dentro do que é o estilo habitual de Bryson, o álbum corresponde aos requisitos. Contudo, o álbum difere bastante de Trapsoul. O grande problema de um artista criar um projeto que quebre barreiras na indústria é exatamente a expectativa alta que é criada pelo próprio. Mesmo que inocentemente.

Anniversary tem em peso o efeito do autotune na voz do artista, o que considero desnecessário. Talvez seja nestes pequenos aspetos que vemos a influência que os padrões atualmente adotados nas músicas têm em artistas como Bryson Tiller.

Porém, nem tudo sofre uma crítica negativa. O facto de todas as faixas serem uma celebração daquilo que Bryson é e tudo o que alcançou conota este álbum positivamente. “Years Go By”, primeira música do disco, relata nos versos exatamente isso. O sucesso que atingiu não o deixa sentado à sombra da bananeira e motiva-o para continuar na luta de conquistar o sentimento de autopreenchimento.

Para quem conhece Bryson, as técnicas de produção nas músicas do artista são excecionais. Então de interlúdios nem se fala. “Timeless Interlude”, música que ocupa o quinto lugar no álbum, segue aquilo que já se tornou regra na música de Tiller. Usando samples e misturas melódicas, este cria um ambiente apenas para relaxar enquanto os versos se desenvolvem à volta de uma carta de amor.

Next To You”, faixa que encerra o álbum, inicia com a sample da música “Heart Attack” dos Flight Facilities. Assim, a música ganha mais melodia enquanto se mistura com as diferentes vozes que Bryson adiciona. Na letra forma-se o conteúdo amoroso, ou seja, aquele a que já estamos habituados a ouvir nos versos de Tiller.

E foi assim que, em 2020, Bryson Tiller voltou aos nossos ouvidos. É injusto tentarmos elevar fasquias após artistas atingirem o sucesso. Cada projeto é um projeto e a pressão que colocamos nos ombros dos artistas apenas servem para contribuir para a toxicidade na indústria. Bryson Tiller ficará para sempre relembrado na minha existência como uma presença incisiva na entrada da minha adolescência.