Após o sucesso do livro de Lauren Weisberger, O Diabo Veste Prada foi adaptado para o grande ecrã em 2006. Com a incontornável Meryl Streep no papel de Miranda Presley, alter-ego de Anna Wintour (editora-chefe da Vogue), não se pode esperar menos do que puro entretenimento.

O filme é uma obra cinematográfica intemporal que trata muito mais para além de moda. O roteiro em si é simples, com reviravoltas previsíveis, mas entrega ao espectador aquilo que promete: uma comédia e entretenimento para quase duas horas.

O segredo está sobretudo na trama. Carregada de significados, aborda, com alguma subtileza, temas que ainda hoje são sensíveis. Por de baixo de todos os figurinos de sonho, aquilo que mais se destaca é o largo caminho que a mulher ainda tem de percorrer para não ser calcada por um homem, a nível profissional e pessoal.

Miranda Presley é uma das personagens mais icónicas da carreira de Meryl Streep. A evolução da “mulher diabo” é apaixonante. No início do filme, o espectador depara-se com uma figura implacável e severa que se transforma num modelo de perseverança e resistência.  A lenda de Hollywood carrega na personagem tudo o que o filme precisa – humor e glamour, combinados com uma certa frieza e distância com que a personagem se pauta.

Andrea (Andy) Sachs, interpretada por Anne Hathaway, é a personagem chave que aproxima o público da história contada. A inocência causa uma certa empatia com o espectador, que se revê nas situações pelas quais a jovem jornalista passa. Assim, atrevo-me a dizer que este papel estava destinado para Hathaway, não imagino ninguém melhor para o lugar.

É impossível falar das duas protagonistas sem mencionar Emily (Emily Blunt) e Nigel (Stanley Tucci), imprescindíveis na maior parte das cenas de Andrea e Miranda. Com ideais semelhantes aos da chefe e completamente opostos aos da personagem de Hathaway, acreditam que o sucesso está acima de tudo. É necessário admitir que Tucci e Blunt são fundamentais, uma vez que grande parte dos momentos cómicos acontecem graças às personagens que interpretam.

O que seria de um filme passado no mundo da moda, sem um guarda-roupa de sonho? Os figurinos de Patrícia Field, no decorrer da longa-metragem, são deslumbrantes. Desde boinas, trench coats e botas over the knee, a estilista causou furor e ditou tendências no mundo da moda que ainda perduram.

A trilha sonora também não passa despercebida. Traz consigo imensos temas do pop contemporâneo, mas aquele que mais se destaca é “Vogue”, de Madonna. A música é um dos maiores sucessos da carreira da cantora e surge, precisamente, após a transformação de Andy. Não podia ser de outra maneira, dado que é um hino à autoestima e expressão – um ótimo acerto para acompanhar o filme.

O Diabo Veste Prada é uma obra cinematográfica apaixonante que nos deixa uma dupla de referência na sétima arte: Streep e Hathaway. Para além das brilhantes prestações de todo o elenco, o guarda roupa é fascinante e a trilha sonora contagia. Não se pode pedir mais.