Os tragos da amargura da idade tenra e as reviravoltas da vida foram algumas das temáticas que abraçaram a cidade de Braga, numa noite dedicada à arte da representação.

Este sábado, o Theatro Circo abriu portas a “ALMA”, uma peça de teatro da autoria de Tiago Correia, que se foca nas vivências árduas com que a juventude se pode fazer acompanhar.

Solidão, sensibilidade, descoberta, amizade e amor são os alicerces que ajudam a retratar a história de um adolescente que fica impossibilitado de se mover após um acidente. Preso a uma cama e limitado pelas quatro paredes do sótão da casa dos avós, os dias do rapaz são marcados pelos movimentos da rua que observa da janela e pelas visitas do amigo, da namorada e de uma desconhecida.

Numa sala tenuemente iluminada, o espetáculo iniciou-se num silêncio envolvente, permitindo focar a atenção para os elementos visuais e criar um ambiente intimista com a plateia. Entre jogos de luz e uma tela destinada para projetar os grandes planos das expressões faciais do protagonista, o palco apresentou-se como um quarto vazio com uma cama de hospital ocupada ao centro.

A performance dramática ficou a cargo do coletivo “A Turma”, um elenco composto por jovens talentos da representação como Bernardo Gavina, Inês Filipe, Rafael Ferreira e Telma Cardoso. Esta foi marcada por diálogos sobre a brevidade da vida, pensamentos filosóficos e ainda sobre questões relativas aos valores humanos e às inconstâncias do dia-à-dia.

De olhos postos no palco, o público acompanhou o decorrer das cenas com risos em uníssono que ecoaram pela sala de espetáculos. Variando entre pausas silêncio e momentos de agitação, a peça caracterizou-se pela dinâmica nas emoções dos atores, sendo possível estabelecer uma ponte com a realidade e temas atuais.

Após quase duas horas de performance, “ALMA” chegou ao fim com a plateia em pé aplaudindo os jovens artistas.