O estudante aceitou o convite do ComUM para falar do seu percurso musical e revelou os seus projetos futuros.

João Lourenço, estudante de Música na Universidade do Minho, venceu, em setembro, a primeira edição do Concurso Internacional de Marimba de Pollença, em Espanha. Além deste prémio, o percussionista de 22 anos, natural de Cinfães, já tinha recebido outras distinções a nível nacional.

Atualmente, pertence ao Grupo de Percussão da UMinho e participa no projeto ‘Hodiernus Ensemble’, do qual foi cofundador.

ComUM – Como é que descobriste o gosto pela música?

João Lourenço (JL) – O meu início na música aconteceu de uma forma natural. Desde sempre gostei de instrumentos de percussão e, quando entrei em conservatórios e academias, fui procurando sons que me interessassem. Assim, os sons da marimba, do vibrafone e de outros objetos menos comuns, como copos, fizeram-me seguir a percussão e trouxeram-me até aqui.

ComUM – Chegaste a experimentar outros instrumentos antes de enveredar pela percussão?

JL – Não, apenas toquei instrumentos de percussão. Para este concurso [de Pollença] toquei a marimba, mas a minha área é a percussão.

ComUM – O que distingue a marimba e, amplamente, a família de instrumentos de percussão?

JL – O som é, realmente, muito bonito. Gosto de explorar as caraterísticas tímbricas que a marimba tem, que são muito ricas. Para mim, os instrumentos de percussão têm um timbre mais rico que os instrumentos de cordas, por exemplo. São muitos instrumentos, uma família enorme, que têm um som especial.

ComUM – Ao contrário de outros instrumentos, a marimba não é muito conhecida pelo público em geral. Na tua opinião, a que se deve a falta de visibilidade deste instrumento?

JL – Sim, concordo que a marimba não é um instrumento muito conhecido, mas é um instrumento com alguma história. A marimba nasceu em África, veio para cá [para Portugal] e tem bastante literatura. Apesar disso, sofre com a falta de atenção das pessoas, talvez por não ser muito usado nas orquestras e mais na música contemporânea, que, por si só, já é menos ouvida.

ComUM – És de Cinfães e atualmente estudas Música na UMinho. Braga foi um destino premeditado ou um mero acaso?

JL – Não foi um acaso. Comecei por estudar numa academia de música em Marco de Canaveses e depois fiz um curso profissional de música com o professor Samuel Peruzzolo, que moldou a minha forma de ser e de estar na música. Na altura, conversávamos que eu devia ter aulas com o professor Nuno Aroso, o meu atual professor, e foi isso que me levou a escolher a UMinho.

 ComUM – A par da UMinho, frequentas também a Escola Superior de Música da Extremadura, em Espanha. Foi um passo necessário?

JL – Sim. Eu tomei a decisão de ir estudar para Espanha por achar que seria bom para mim ter aulas de orquestra, que é uma parte menos explorada na nossa classe em Braga. Como o professor Nuno dá aulas lá, achei que seria uma boa hipótese ficar lá em regime de curso livre.

ComUM – Além de fazeres parte do Grupo de Percussão da UMinho, tens também um ensemble. Como descreves este projeto?

JL – O ‘Hodiernus Ensemble’ é um grupo formado maioritariamente por alunos da UMinho e outros que já acabaram os seus estudos, que visa promover a música contemporânea portuguesa com uma linha regular de encomendas a compositores portugueses. O projeto nasceu de um espetáculo em Braga, promovido pela Universidade do Minho, de homenagem à artista plástica Helena Almeida. A partir desse concerto, o grupo juntou-se ainda sem o nome ‘Hodiernus’, uma palavra latina que significa, precisamente, ‘contemporaneidade’.

ComUM – Falando do concurso que venceste recentemente, como é ser distinguido a nível internacional?

JL – O sentimento é bom, claramente. Vencer um concurso é sempre positivo e dá-nos motivação para estarmos ativos na música, para produzirmos mais, sobretudo. E ser premiado nesta fase [pandémica] que passamos, sem dúvida, traz-me essa motivação extra.

ComUM – O que é que projetas para o futuro?

JL – Bom, tenho algumas encomendas de obras de compositores, alguns que admiro. Entre eles está Eduardo Patriarca, Solange Azevedo e o meu antigo professor, Samuel Peruzzolo, que é um excelente compositor. Temos muitos compositores bons em Portugal e eu quero muito tocar a música deles. Tenciono, portanto, continuar a tocar e estar ativo na música portuguesa.