A Tuna de Ciências da Universidade do Minho anuncia um trabalho discográfico original que já não se fazia desde 2009. O lançamento vai realizar-se no dia 19 de dezembro e dois membros da Azeituna estiveram à conversa com o ComUM sobre o projeto.

ComUM – No dia 17 de outubro lançaram um vídeo no vosso canal de Youtube a anunciar este mesmo disco, o que não é algo habitual. Qual foi a razão principal e como é que surgiu a ideia?

Carlos Azevedo – A ideia do vídeo surgiu ainda durante o nosso retiro., onde já tínhamos ideias para fazer a gravação do CD. A gravação do videoclip foi feita através de membros da Azeituna, que tem conhecimento na área. Curiosamente, foi engraçado porque quando nós o vimos percebemos que se notava muito a nossa maneira de ser. Achámos que transparecia bem a maneira de ser da Azeituna. Então, decidimos aproveitá-lo de imediato para o videoclip.

ComUM – As seis músicas originais foram trabalhadas com o propósito de montar o álbum ou são peças anteriormente concebidas que depois se uniram neste CD?

Gabriel Bizarro – Foi um meio-meio. Nós tínhamos algumas músicas originais que estavam a ser trabalhadas para serem apresentadas este ano, mas as atuações foram canceladas devido à pandemia, e acabaram por ser mais trabalhadas em grupo e incorporadas no nosso CD.  Outras músicas já tinham sido originalmente criadas só que ainda não tinham sido gravadas.

ComUM – A música “Ovo de Colombo” mereceu algum destaque por vossa parte. Anunciaram a antestreia com um videoclip no Youtube e nas outras redes sociais. O que é que esta música tem de especial para ser assim anunciada?

Gabriel Bizarro – A “Ovo de Colombo” foi uma música que ficou marcada pelo grupo. É, de certa forma, mais especial e curiosamente nasceu num pequeno ajuntamento na nossa sala de ensaios. É simples, mas bonita que foi sempre trabalhada ao longo dos meses e retrata o que é a essência do viver do nosso grupo.

Carlos Azevedo – A música ganhou tanta notoriedade porque realmente achamos que transparece aquilo que deve ser “o existir” na Azeituna. Porque, apesar de tudo, é um grupo muito grande, com pessoas muito diferentes com maneiras de pensar diferentes e com várias idades compreendidas. Acho que a música retrata muito bem como é que nós vemos o grupo e como foi uma visão tão unânime, quando toda a gente a ouviu, percebeu que retratava bem a nossa realidade. Foi isto que lhe deu outro encanto.

ComUM – A vossa iniciativa de crowdfunding diz-se que “não se limita apenas a uma simples doação de quantia monetária”. Isto porque vocês disponibilizaram bilhetes para a apresentação do CD no dia 8 de maio. Como é que esta possibilidade surgiu e que impacto esperam ter no público?

Gonçalo Bizarro – Como este ano a pandemia não tem facilitado a situação para as associações sem fins lucrativos, como é o caso da Azeituna, surgiu o crowdfunding como necessidade para preencher, em parte, o buraco financeiro. Mas, nós não estamos simplesmente a pedir dinheiro a ninguém. Estamos a aceitar doações através do crowdfunding e como queremos retribuir, oferecemos a única coisa que podemos de momento, que é precisamente o CD e os bilhetes para o espetáculo. Achámos que não faria sentido criar uma campanha em que as pessoas nos pudessem doar, sem oferecermos nada em troca.

Carlos Azevedo – Quanto ao impacto no público, vai acabar por ser semelhante. O que nós vemos aqui, é uma maneira de retribuir às pessoas àquilo que elas acham justo doarem. Sinceramente, a nível de presenças no espetáculo não terá grande diferença. Ainda por cima, com o adiamento para maio, nós contamos ter uma boa adesão até porque achamos que temos um CD com qualidade. Os familiares, amigos, pessoas que realmente gostam da Azeituna chegarão para terem a curiosidade para irem ao espetáculo e encher a sala.

ComUM – Em que medida é que este disco “Azul” é então um trabalho diferente, tal como anunciaram?

Gabriel Bizarro – Este projeto tinha já muita coisa delineada de um trabalho pré-feito em 2019. Já tínhamos as faixas quase todas escolhidas assim como a ideia de lançar um CD, o que não acontecia desde 2009. Este acabou por ser o projeto em que poderíamos confiavelmente trabalhar enquanto estávamos parados em casa. Tivemos meses em que nos esforçamos para melhorar as músicas e aprender o que já estava feito.

Quando começámos as gravações, foi a nossa maior dedicação durante muito tempo. Como este ano trouxe uma atitude mais introspetiva, a Azeituna também sentiu porque estávamos todos parados em casa sem fazer nada e acabámos por refletir mais sobre as coisas. Percebemos que este disco simboliza não só os últimos 11 anos de trabalho da Azeituna mas toda a sua existência. Por causa disto, acabamos por chamar o álbum “Azul” que retrata assim a nossa essência.

Carlos Azevedo – Mesmo a nível de registo musical, é diferente do que se está acostumado. Isso vai transparecer nas pessoas que estão habituadas a ouvir a Azeituna porque muito possivelmente não estão à espera desta apresentação. De facto, temos seis músicas em que só uma delas foi tocada em público e, mesmo assim, foi completamente remodelada.

O processo criativo em grupo e a vontade de trabalhar em conjunto foi essencial porque não tínhamos mesmo mais nada onde nos amarrar durante a quarentena e fomo-nos amarrando uns aos outros. Mesmo para nós, o resultado final foi uma surpresa. Ninguém estava a contar que pudéssemos dedicar tantas horas a isto. Prima pela diferença exatamente por isto. Nós nunca teríamos tanta disponibilidade pessoal e de grupo para fazer um trabalho assim. Isto traduziu-se em algo completamente diferente.