No dia 6 de novembro, a girl band britânica de sucesso Little Mix presenteou os fãs com o lançamento de um novo projeto musical. Com mensagens fortes e vocais mais poderosos do que nunca, Confetti é o sexto álbum do grupo e o primeiro a ser lançado sob um novo contrato com a RCA Records.

Em setembro de 2020, o grupo composto por Jade Thirlwall, Perrie Edwards, Leigh-Anne Pinnock e Jesy Nelson deixou a internet ao rubro com o anúncio de um novo disco. Ainda que o anúncio oficial date desse mês, foi logo em março, com o lançamento do videoclipe para a faixa “Wasabi”, que as Little Mix revelaram a primeira pista de que algo novo estaria a caminho. No final do o vídeo, observa-se a capa do álbum “LM5” a ser atingida por uma explosão de confetes coloridos, marcando o fim de uma era e a esperança de uma nova.

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Composto por 13 faixas, o álbum pop apresenta-se como uma verdadeira aclamação ao empoderamento feminino e à liberdade para sermos quem somos. Cada canção contém pelo menos um elemento com o qual os ouvintes se identificam, permitindo-lhes um melhor conhecimento de si próprios.

Apesar de a faixa introdutória, “Break Up Song”, se tratar nada mais que o single estilo anos 80, Confetti não se restringe a uma simples coletânea de músicas sobre romances que não deram certo. As letras não procuram retratar mulheres frustradas perante relações amorosas que não funcionaram, mas sim mulheres fortes que superaram a situação com confiança e que se sentem bem com quem são “agora”.

É precisamente essa a ideia por de trás de músicas como “Hapiness”, “Confetti” ou “Sweet Melody”. Na verdade, as duas últimas portam uma particularidade que as distingue das demais: são as faixas mais sombrias do álbum, com ritmos sedutores e misteriosos e refrões para lá de viciantes. Diria até que é impossível ouvir estes temas e não se ser invadido por uma vontade incontrolável de cantar as letras ou de tentar reproduzir uns passos de dança.

Já na faixa “A Mess (Happy 4 You)”, também sobre o fim de um relacionamento, as artistas assumem uma postura um pouco mais sensível ao confessar que ainda não curaram o coração partido. Ainda assim, ficam felizes por saber que a outra pessoa está feliz (“If I can’t be happy, happy with you/ I’ll be happy, happy for you”).

A grande novidade no novo trabalho centra-se no conteúdo lírico de caráter sexual. É com “Holiday”, o segundo single do álbum, que nos é introduzida esta nova faceta (“Can we make it all night?/ We don’t stop, all up on my body, babe/ Touch me like a summer night, you feel like a holiday”). A melodia é sensual e os acordes de sintetizador, aliados à batida subtil, conferem-lhe um tom descontraído. Também “Rendezvous” e “Nothing But My Feelings” quebram o tabu ao discutir a importância da sexualidade, reforçando ainda que as mulheres podem apreciar relações casuais da mesma forma que os homens.

A inovação só veio provar que as cantoras claramente assumiram o controlo durante a produção do álbum. Percebe-se um maior grau de liberdade e confiança para compor que não existia na época em que o grupo ainda trabalhava com Simon Cowell na gravadora SYCO. Aliás, as artistas chegam até a mencionar o jurado do The X Factor na faixa “Not a Pop Song” (“I don’t do what Simon says”). Esta é também a primeira música na qual fazem referência direta à sua reputação enquanto banda feminina.

É pertinente lembrar que o grupo Little Mix está sob o olhar do público desde há nove anos. Ao longo desse tempo, acumularam uma série de julgamentos que se prendem quer com a sua aparência e personalidade, quer com a performance enquanto artistas musicais (“They look for picture perfect/ Don’t look deeper than the surface”).

Uma coisa é certa: trata-se de um grupo feminino que continua a fazer sucesso mesmo com vários anos de presença na Indústria Musical, algo que, como todos sabemos, raramente acontece. E não é difícil entender porquê. As cantoras possuem um alcance vocal impressionante, letras inspiradoras e melodias bastante agradáveis ao ouvido. Confetti só veio comprovar isso mesmo. Todas as músicas são extraordinárias e essenciais, o que me leva a acreditar com firmeza que estamos perante o melhor álbum de toda a discografia de Little Mix.