O Presidente da República confessa que quanto mais tempo se demora a tomar medidas, menos eficazes se tornam.

“Apesar de sinais de ligeira descida no indicador de propagação do vírus”, está a subir “o número de mortos, o número de cuidados intensivos, o número de internados em geral”, afirma Marcelo Rebelo de Sousa na comunicação ao país desta sexta-feira. “Poderá atingir valores máximos entre o final de novembro e o início de dezembro”, daí ter sido necessária a renovação do estado de emergência.

O atual estado de emergência teve início no dia 9 e terminaria às 23h59 da próxima segunda-feira, 23 de novembro, mas a renovação tem efeitos a partir da meia noite de terça-feira, 24 de novembro. O Presidente anunciou que esta decisão tem efeitos até às 23h59 do dia 8 de dezembro, para permitir medidas de contenção da Covid-19.

Para além disso, o chefe de Estado confessa que é provável que haja “uma terceira vaga” entre janeiro e fevereiro. Segundo Marcelo, poderá ser “tanto maior quanto maior for o número de casos um mês antes”. “Ou seja, importa tentar conter fortemente em dezembro o processo pandémico, mesmo que ele dias antes aparentasse passar o pico da chamada segunda vaga”.

O Presidente da República lembra ainda que “encontra-se presente a brutal pressão que existe sobre o Serviço Nacional de Saúde”. “Pressão essa que vai aumentar nos próximos dias e semanas”, o que implica a exigência de conter o curso da pandemia em dezembro e nos primeiros meses de 2021.

A vacina, que “tem ser para todos que a desejarem” não cobrirá aqueles que não tiverem logo acesso a ela, em “menos de alguns meses”. Para além disso, Marcelo Rebelo de Sousa alerta que “atingir situações críticas generalizadas nas nossas estruturas de saúde será dramático para os doentes Covid e para os muitos doentes não Covid”.

Considerando a renovação do estado de emergência, afirma que vai durar “o que for necessário ao combate à pandemia”. Se isto levar à ponderação da segunda renovação do estado de emergência de 9 a 23 de dezembro, “que ninguém se iluda”. O Presidente não vai hesitar em propor medidas “para que o Governo disponha de base suficiente para aprovar o que tenha de ser aprovado”.

“Não vamos renunciar nem baixar os braços”, afirmou. “Vamos fazer o que sempre fizemos em quase nove séculos de história: aguentar pestes, combater guerras, perder e recuperar independências, não desistindo”.