Após alguns meses de espera, Sam Smith dá a conhecer o terceiro álbum de estúdio. Love Goes é o nome do projeto com 17 músicas repletas de sentimento e de amor. Ao longo do conjunto, conhecemos várias fases do amor vividas de uma forma intensa, tal como um adolescente, através de baladas, acappellas, e ainda ritmos mais divertidos.

Inicialmente o álbum ia chamar-se To Die For, tal como o single. Contudo, devido à pandemia da Covid-19, a data foi adiada para dia 30 de outubro. Sam Smith considerou que a palavra “die” poderia ser ofensiva graças ao contexto em que ia ser lançado. A espera valeu a pena, porque depois de três anos sem um projeto destes, ouvir a voz do britânico é algo aconchegante.

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Começa-se de forma crua com “Young”. O acappella, aliado à ideia de que a juventude é a idade da descoberta e à voz poderosa do artista, fazem desta faixa uma introdução excelente ao álbum. A incerteza transforma-se em certeza em “Diamonds”. É também uma descoberta para Sam Smith, pois é um estilo não muito frequente. Contudo, o Eletropop envolve-nos nesta música sobre um amor falso com segundas intenções.

“Another One” é a perfeita fusão entre o piano que melhor acompanha Smith e o Pop de discoteca característico deste projeto. A inspiração na cantora Robyn é algo que prevalece. A fusão acontece novamente em “My Oasis”, o single de colaboração com Burna Boy. Neste caso, o acrescentar da guitarra e do ritmo característico do artista nigeriano elevam esta faixa para algo único.

 “Dancing With A Stranger” e “Dance (‘Til You Love Someone Else)” surgem como duas partes da mesma história. Através de um ritmo discopop eletrizante mostram como dançar em discotecas é uma forma de superar um coração partido. Estas batidas são estranhas para Smith, contudo, sente-se que foram feitas para ele.

Como não podia faltar uma balada de piano, Sam Smith presenteia-nos com “For The Lover That I Lost”. É uma faixa originalmente escrita para Céline Díon, que integra o álbum Courage, mas que o cantor deu o seu toque mais profundo e bastante emocional. Esta energia de perda e angústia prolonga-se para “Breaking Hearts”. A contrastar com o tema, apresenta uma batida subtil que vai ganhando força.

Até agora temos ouvido ritmos diferentes, por isso em “Forgive Myself” ouvimos um clássico Sam Smith, em que basta um piano e um violoncelo que a voz faz o resto. É daquelas músicas que fazem chorar apenas pela simplicidade e nudeza. O mesmo acontece com “Love Goes”, uma colaboração com Labirinth, que mostra que no amor tanto se ganha como perde. A faixa que dá o nome ao álbum começa de forma muito serena, mas transforma-se num crescendo até ao final triunfal preenchido por trompetes e vocais de ambos artistas.

A última faixa da primeira parte é “Kids Again”. Termina de uma forma excecional, pois é como que um realizar de que os anos passam e o melhor a fazer é aproveitar o presente. A nível musical é muito simples. Acompanhado maioritariamente pela guitarra, Sam Smith faz a magia desta música apenas com a sua voz.

A segunda parte do disco é o aglomerar de singles que foram sendo lançados desde 2018, tais como “Promises” com Calvin Harris, “How do You Sleep?”, “To Die For”, “I’m Ready” com Demi Lovato, e “Fire on Fire”. São temas já bastante conhecidos e aclamados pelo público, mas que não deixam de fazer magia no novo projeto do artista.

Love Goes é uma montanha russa emocional extraordinária. Sam Smith aplica sempre o máximo de sentimento possível de forma a nos revermos na sua música. Ao longo das 17 músicas e duas partes do projeto, percebemos que o cantor britânico tem vindo a explorar diferentes estilos para além das clássicas baladas de piano. O resultado é excecional e um trabalho bastante completo.