Passaram-se oito meses desde que a nossa vida foi interpelada pela Covid-19. Todos os setores da sociedade foram abalados e o cultural foi um deles. É caso para nos perguntarmos: de que forma é que a Cultura é vivida em plena pandemia?

Vivemos num ano em que não existiram festivais de verão, o espetáculos foram adiados ou cancelados e cada dia que passa é uma incógnita. Quem vive a Cultura e adere com frequência aos vários eventos culturais que acontecem sente de perto a falta que faz um concerto ou uma peça de teatro na sua forma mais autêntica, como acontecia num passado recente. A verdade é que muita coisa mudou e atualmente pode dizer-se que se vive uma verdadeira tragédia grega.

São várias as medidas estabelecidas nos espaços culturais, como o uso obrigatório de máscara, a higienização das mãos, a marcação de lugares ou a alteração de horários. Todas estas medidas mudaram por completo a dinâmica dos espetáculos. O feedback que os artistas recebem por parte do público nas atuações, a comunicação que é feita do palco para a plateia ou os sorrisos que ficam escondidos atrás das máscaras enfraquecem o espírito de quem vive um espetáculo em pleno.

O online tornou-se também numa alternativa, mas as sensações não são as mesmas. Diversas escolas de dança apostaram neste formato para transmitir os espetáculos, só que a verdade é que quem está a atuar não sente a mesma adrenalina do que quando se está em cima do palco, assim como quem assiste não percebe da mesma forma o impacto de cada passo, de cada movimento e de cada história que há para contar por detrás de uma coreografia.  Apesar de tudo, é notório o esforço para “tentar trazer a vida dos artistas e do público para o mais próximo do normal”, como se pôde ouvir durante o concerto de PAUS no Theatro Circo.

Por fim, levanta-se a questão: enfrentamos a nova realidade ou cedemos ao medo? Este é o dilema de quem vive a cultura no seu esplendor. O receio do vírus debate-se com a vontade de ajudar o setor que se encontra prejudicado com a pandemia. Vemo-nos privados de viver um evento ao máximo, mas por outro lado queremos continuar a sentir um pouco do que era a vida antes da realidade que hoje enfrentamos. Vemos os números de casos a aumentar, mas ouvimos o apelo de Graça Fonseca, Ministra da Cultura, para que continuemos a ir a espetáculos. Afinal, por qual dos lados é que optamos?

Face a esta questão, não existe uma resposta correta, mas a verdade é que esta é a nova realidade e cabe a nós adaptarmo-nos a ela. A entreajuda, a responsabilidade e a resiliência devem andar de mãos dadas mais do que nunca. Por isso, vamos ser resilientes e não baixar os braços, vamos entreajudar-nos e auxiliar um setor que precisa de nós, sem nunca esquecer que carregamos a enorme responsabilidade e respeito de cumprir as normas de segurança, de maneira a que a Cultura se cumpra de forma segura. Este é o drink que devemos beber.