A 27 de novembro de 2020, a cantora e compositora Miley Cyrus apresentou o sétimo álbum de estúdio, Plastic Hearts. A obra compila 12 músicas que dispõem de uma mescla de estilos musicais- o pop, o country, o hard rock e o new wave- de forma mirabolante e, no entanto, estupenda.

Plastic Hearts é o primeiro disco publicado pela artista desde 2017. Inicialmente apresentado como She Is Miley Cyrus, tinha a data de lançamento marcada para 2018, no entanto, a autora decidiu abandonar a proposta e começar do zero. A data foi diferida até este mês e os fans especulam que tenha sido uma consequência do divórcio, da cirurgia da intérprete nas cordas vocais e, também, da pandemia da Covid-19.

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O projeto encerra a transformação de sonoridade da cantora.  Conta com a produções de Louis Bell, Happy Perez, Mark Ronson e Andrew Wyatt e, ainda, com a colabroraçao de Billy Idol, Joan Jett, Dua Lipa e Stevie Nicks. A capa, muito bem conseguida, é da autoria do renomado fotógrafo Mick Rock, afamado por ter trabalho com artistas como Joan Jett e Debbie Harry.

A 14 de agosto de 2020, “Midnight Sky” foi divulgado como o primeiro single do álbum. A prodigiosa música que atingiu a posição 14 na Billboard Hot 100 (EUA) é uma ode inspiradora de afirmação feminina, que foge aos padrões. Com um vocal profundo e uma letra forte, exalta a independência e insubordinação “that I was born to run, I don’t belong to anyone”. Os covers das canções “Zombie” e “Heart of Glass” fazem parte os lançamentos promocionais do projeto.

Foi publicado a 19 de novembro, em colaboração com Dua Lipa, o segundo tema do álbum. “Prisoner” funde de forma sublime os timbres roucos da cantora britânica com o tom mais cru de Cyrus. Ambas protagonizam um videoclipe sangrento e cantam acerca da sensação de clausura causada pelo que ainda sentem por um ex-amante- “strung out on a feeling, my hands are tied”.  Ainda na parcela de músicas com feats da mais recente produção encontramos “Night Crawling” com Billie Joe, que nos mergulha no estilo synth-rock, e “Bad Karma” com Joan Jett.

Never Be Me” revela a vulnerabilidade da artista. Amargurada, confessa gostava de ser estável e fiel nas suas relações amorosas- “But if you’re looking for stable, that’ll never be me. If you’re looking for faithful, that’ll never be me. If you’re looking for someone to be all that you need”. Mais melódica e algo melancólica, trata a música com moderação. É, sem dúvida alguma, um dos pontos altos do disco.

Num novo registo e de forma engenhosa, a cantora investe no novo álbum. De maneira ousada e com forte influência das décadas de 1970 e 1980, os baixos pesados, guitarras elétricas e sintetizadores são acompanhados de um desempenho vocal poderoso.