A Sun Ra Arkestra, banda antes liderada por Sun Ra, lançou a 6 de outubro um álbum em que se juntam projetos antigos e sons nunca antes gravados. O tom futurista e cósmico da maioria das faixas rompe completamente com a assunção mais clássica do jazz. Uma surpresa cósmica e refrescante no final de um ano de escuridão.

Com 13 músicas diferentes, Swirling proporciona-nos cerca de uma hora e meia de música que promete espantar. Neste álbum, onde se reanimam alguns sons mais clássicos do jazz e se juntam a um tom futurista, ficamos com a sensação de que que, por muitos anos que passem, nunca vamos compreender completamente o génio de Sun Ra.

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Apesar de Sun Ra ter falecido em 1993, a banda Sun Ra Arkestra teve sucesso na tarefa de manter o espírito vivo neste projeto produzido e polido ao longo de mais de 20 anos. As temáticas como o caos, o cosmos e a sedução são nos entregues numa mistura estranha de jazz, blues, R&B, swing e uma quantidade imensa de sons espaciais.

Nos aspetos técnicos, importa sublinhar o teclado pela qualidade e consistência. Por outro lado, o saxofone é o instrumento que nos traz os melhores momentos. Contudo, nem sempre o free-jazz deste consegue o resultado mais feliz e acaba por ser o mesmo instrumento a trazer-nos os momentos mais desconcertantes e confusos. A edição do som é absolutamente exímia. Ficamos com a sensação de que tudo está montado e é transmitido exatamente da forma que era suposto ser.

Swirling veio acabar com a ideia daqueles que julgam que o jazz não é para ouvir com atenção e que serve apenas de música ambiente. Não perdendo o teor clássico a que o género de música obriga, é-nos mostrada uma junção fascinante de influências africanas, pensamentos futuristas e filosóficos, embrenhados com uma energia tal que (quase) nunca soa desconexa.

Certamente, este projeto não será do gosto de qualquer um. Par além de ser necessário ultrapassar alguns preconceitos para com o jazz, é necessário esperar que as músicas sejam tudo aquilo que não esperamos que o género nos traga. Um feixe de luz cósmica, de diversão e de reflexão refrescantes e pertinentes para um ano como este.