João Ferreira é um biólogo e político português que, tal como o mesmo afirma, tem procurado que a sua candidatura seja um "espaço amplo de convergência".

A quarta sessão do ciclo de conversas com os candidatos presidenciais da AEDUM (Associação de Estudantes de Direito da Universidade do Minho) decorreu esta sexta-feira, dia 8 de janeiro via zoom. Sendo o convidado da sessão João Ferreira, candidato às presidenciais de 2021, as temáticas incidiram sobre aquilo que o motiva e sobre a sua candidatura.

Um dos temas discutidos foi a pandemia. Para além de traduzir preocupações relacionadas com a saúde, trouxe um conjunto de consequências no plano económico e social. Estas preocupações somam-se a uma situação pré-pandémica que já era de si problemática. Portugal vem arrastando um conjunto de problemas elencados por João Ferreira, como a injusta distribuição da riqueza, baixos salários, um país progressivamente dependente face ao exterior e um  desinteresse no investimento de funções sociais como a saúde, a educação , os transportes, etc.

João Ferreira defende que é necessário aproveitar a oportunidade para lançar a atividade económica. É essencial responder aos problemas da pandemia, mas também aos que vinham de trás. O Presidente da República tem um papel fundamental para a mudança de curso do país, sendo que a grande motivação do candidato é “trazer para o centro do que deve ser o exercício do Presidente da República, questões fundamentais como a valorização do trabalho”.

Relativamente à sua visão perante a resposta portuguesa à crise pandémica, o candidato acredita que quando a pandemia “rebentou” surgiu uma “dicotomia”. Esta baseava-se no facto de ou se defender a saúde ou se defender a economia. Acredita que é necessário recusar a dicotomia para garantir que a vida possa continuar nos diversos planos económicos, sociais e é essencial o reforço do serviço nacional de saúde.


No que diz respeito aos debates, o mesmo acredita que estes são importantes. De maneira geral encontra-se satisfeito, sendo que acredita que estes permitem perceber como é que cada candidato vê o exercício dos poderes do Presidente da República. João Ferreira considera que grande parte dos debates contribuíram para o esclarecimento, apesar de por vezes ocorrer uma tendência para desviar do assunto. Ainda sobre os debates, o candidato preferia que os estes tivessem mais distância entre si.

A nível económico, o candidato demonstra preocupação e um desejo de mudança. Este afirma que não quer para o país aquilo que tivemos nas últimas duas décadas. Um país que apresentava quebras da produção, estagnação económica e salarial, chegando à condição de um dos países mais endividados do mundo.

Por fim, e tendo em atenção o ataque ao Capitólio por massas de cidadãos americanos, o candidato manifesta preocupações relativamente à progressiva ascensão de forças de extrema-direita. Para combater o avanço da extrema-direita é fundamental resolver as causas que levam à insatisfação de largos setores da população. João Ferreira dá destaque ao facto de que este tipo de forças aproveitam o descontentamento das massas não para resolver os problemas, mas sim para reforçar o seu poder.