Man On The Moon III: The Chosen, chegou a 11 de dezembro do ano passado. A descrição dos últimos 10 anos de Kid Cudi surge depois de Man On The Moon II: The Legend Of Mr. Rager (alter-ego do artista). Agora, com The Chosen, Cudi não baixa o nível a que sempre habituou o público.

O álbum começa, após uma pequena interlude composta por umas teclas cristalinas de piano. Seguidas da música Tequila Shots que nas  palavras de Cudi: “(…) soa como uma introdução. Soa mesmo como se tivéssemos começado exatamente onde tínhamos deixado há 10 anos”.

billboard.com

Numa fase introdutiva do projeto, são abordadas algumas das batalhas do rapper e produtor. Este explica que, agora num terceiro ato (álbum) não pode desistir de lutar contra uma constante dor interior que sente relativamente à vida, descrita como de Mr. Rager – que vive em constantes festas, com álcool e drogas e mulheres.

Contudo, o projeto evolui para uma vertente um pouco mais hip hop/trap com “Heaven On Earth”, a sétima música. Esta introduz uma parte do álbum em que Kid Cudi opta por vozes mais distorcidas e beats com muita sintetização, que contrastam com a generalidade do projeto que compoõe a trilogia de Man On The Moon.

Também na oitava música, o rapper explora uma sonoridade hip hop, mas desta vez com ritmo drill. “Show Out” conta com a participação do rapper de Brooklyn Pop Smoke e do londrino Skepta. Destaca-se um instrumental mais enérgico que fica um pouco alheio ao álbum, que apresenta beats synth-pop, cósmicos e leves (mais carcateristicos na música de Cudi).

Nesta segunda parte do álbum, com a também habitual lírica motivacional e nostálgica do compositor, aparece, por exemplo: “Elsie´s Baby Boy (flashback)”, referente à mãe, Elsie. Cudi aproveita para descrever o seu crescimento ao lado de uma progressão de acordes angelicais na guitarra. Sendo facilmente percetível o tom de agradecimento para com a mãe, que sempre foi um elemento crucial na coesão da família.  Ou, em The Void, uma música muito agradável com um instrumental crucial para explicar a angústia que KiD CuDi parece querer expressar na letra, para explicar os por que tem passado nos últimos anos.

Numa fase mais conclusiva do álbum, temos a participação de Phoebe Bridgers em “Lovin´ Me” e Trippie Redd em “Rockstar Knights”. Kid Cudi mostra como contínua versátil na música que compõe. Em “Lovin´ Me”, com a ajuda da magnífica voz de Phoebe, experimenta sons mais transcendentes. Enquanto em Rockstar Knights Cudi explora, com o jovem rapper de Ohio, uma sonoridade mais alternativa como é o emo trap.

Em suma, um álbum que não baixa o nível musical que Kid Cudi, a par da sua equipa de produtores, sempre proporcionou aos fãs. Intervém em questões como a saúde mental, que muitas vezes é originada por outras questões como a solidão, ou a ansiedade, como sempre fez questão de falar o rapper ao longo da sua carreira.