A banda bracarense “The Silent Box” lançou esta sexta-feira o seu primeiro videoclipe para o single “Hold On”, com a ajuda da GearFilms, que os acompanha há já algum tempo. A propósito do novo single e para conhecer melhor o projeto, o ComUM falou com os membros integrante na Toca, espaço emergente de ensaio em construção, onde ensaiam com abertura ao público todas as quartas-feiras.

ComUM – Para quem não vos conhece, o que é The Silent Box?

João Oehen – Ora bem, nós somos um projeto musical de Braga. Ganhamos o concurso de concertos do Avante!, o último concerto que tivemos foi o ENEI, no início do ano. Temos um EP lançado, gravado em 2018 e lançado em 2019, e este ano estamos a preparar-nos para gravar um álbum (temos duas músicas gravadas) e vamos lançar o nosso primeiro single com videoclipe no dia 1 de Janeiro de 2021. Antes do Avante, estivemos no concurso de bandas da AAUM, onde fomos tocar a Guimarães. Fomos duas vezes ao Braga Sounds Better (íamos à terceira edição este ano, mas pronto, não deu por motivos óbvios [pandemia]).

Eduardo Semanas – Fomos até às finais do concurso da AAUM (não ganhamos, mas foi uma experiência incrível tocar com aquelas bandas todas). Agora em 2021, vamos entrar em estúdio para ver se conseguimos fechar um álbum. Não podemos dar certezas, porque como se tem visto, podem acontecer imensos imprevistos e nunca se sabe. Felizmente, podemos contar com a ajuda da Poison Studio e do grande Romeu, que tem sido um excelente colega de trabalho e uma grande ajuda tanto em termos de qualidade de som como de camaradagem de trabalho e entreajuda.

A nível de estilo musical, não conseguimos (e acho que não queremos) encaixar-nos num estilo de música específico. Temos o nosso, que é característico, e que acaba por beber de muitos estilos à volta do rock. Quando chegamos à SPA e tivemos que definir um estilo, usamos o scapegoat do “rock alternativo / indie rock”, e tentamos sempre ter uma composição minimamente complexa e com conteúdo, até porque um membro da banda tem formação “agressiva” (clássica), e isso ajuda sempre na composição. Mas mais importante do que isso é que, essencialmente, isto é um grupo de amigos. Todas as pessoas que cá estão são meus amigos de longa data, exceto o baixista, e mesmo esse no primeiro dia em que o conheci estava a convidá-lo para a banda. Tentamos ter o máximo de profissionalismo, mas sempre no espírito da diversão e da amizade. É que se não fosse isso estávamos fodidos, porque a música não é uma área nada fácil. Acima de tudo, fazemos música para nós, mas depois – claro – o pessoal gosta de ouvir.

O Semanas a tocar guitarra elétrica (lado direito) e o Semanas II no teclado (lado esquerdo)

David Rodrigues

No fundo, compensa também porque quem nos ouve faz questão de vir ter connosco para nos dizer que de facto gosta daquilo que estamos a fazer, aliás, até nos chegaram a pedir abraços no fim dos concertos [risos]! Aí, o gosto torna-se especial. Mas não fazemos as músicas a pensar no que vai soar melhor para outras pessoas. É mais do género “Olha isto!”, e estamos a experimentar música nova e apercebemo-nos que está a soar mesmo bem, e torna-se um bocado javardice. Às vezes também ouvimos músicas de há muito tempo atrás e ficamos assim mais “Aaaah! Merda”. Tendemos a ser mais críticos com as coisas que lançamos há mais tempo, o que também acaba por fazer parte do processo. Na altura era de mais, hoje se calhar já não é. Faz parte do amadurecimento de todos nós enquanto músicos, e acho que é normal.

ComUM – Foi por causa desse processo evolutivo que a banda mudou de nome?

Eduardo Semanas – É assim, nós não mudamos de nome, isso é uma misconception normalíssima que nos acontece cá em Braga. O que acontece é que o baixista, o baterista e os guitarristas são os mesmos. Mas na altura, esse projeto, que tinha o mesmo objetivo de nos divertirmos, como este, separou-se. Algum do material passou, mas hoje em dia acho que é mesmo residual. Nós os quatro decidimos que queríamos continuar a fazer música juntos, o Stifler (baixo), o Semanas (guitarra), o Oehen (bateria) e o Sales (guitarra rítmica), e depois juntou-se o João Rangel (voz) e agora mais recentemente o irmão mais novo do Semanas, o Semanas II (teclas), que era nosso roadie antes de vir para a banda. O João Rangel apareceu quando fizemos mini-audições para vocalista, onde o convidamos a ele e a mais uma série de pessoas, que se sentiram intimidadas não se sabe bem porquê. Presente nessas audições estava o Dener, que tem sido o nosso técnico de som.

A dinâmica da banda foi sempre completamente diferente da que tínhamos nos Black Rose Weekend desde que o João entrou. No projeto anterior era aquela coisa de miúdos a tocar numa garagem, em que fomos dando uns concertos de vez em quando, mas nunca com aquela proatividade que temos agora de tentar perceber as melhores abordagens para superar os desafios com que nos deparamos.

João Rangel – Eles amadureceram, eu só…pronto, enfim [risos]. A coisa aconteceu mais ou menos nestes termos: “Ah, e tal, um gajo ’tá a começar a trabalhar, a começar a arranjar cenas a sério e tal mas…temos de chegar a horas, respeitar o tempo dos outros, etc…”, e eu chego para dizer “que se f*da, siga!”.

Eduardo Semanas – A personalidade do João em palco é tão própria que chegou ao ponto dele desmaiar a meio dum concerto. Isto no concerto de bandas da AAUM.

João Rangel – Foi falta de oxigénio no cérebro.

Eduardo Semanas – Nós os quatro, como procurávamos aquela dinâmica mais profissional, acabamos por beneficiar com o lado mais livre do João. Ele também estava num projeto antes, os NoNe, muito nossos amigos (chegamos a dar concertos com eles). Tudo pessoal de Braga.

Foto a preto e branco com o Ohen (baterista) em foque. Ele está sentado na bateria.

David Rodrigues

ComUM – De onde vem o nome “The Silent Box”?

João Rangel – Essencialmente, arranjamos problemas no sítio onde estávamos antes. Chamaram-nos a Polícia várias vezes [risos], ameaçaram-nos, etc…Porquê? Porque pronto, João Oehen [risos]. Então, começamos a procurar um sítio onde pudéssemos ter o Oehen, e lá conseguimos encontrar um sítio. Primeiro, estávamos metidos, acho que 11 pessoas no total, num projeto para arranjar fiadores, alugar um espaço, que seria na zona da Universidade do Minho. Portanto, para ser naquela zona, íamos ter de fazer a tal “caixa silenciosa”, para não termos os mesmos problemas que tivemos antes. Um espaço para sermos nós próprios sem ter de lidar com a polícia ou chatear as pessoas à nossa volta.

João Oehen – No fundo, foi daí que surgiu também o nosso símbolo. O silêncio, o quadrado da caixa e o símbolo do ruído dentro dessa mesma caixa, sem chatear o resto das pessoas mas sempre disponível para quem se quiser ligar.

ComUM – Quais são os vossos planos para 2021?

The Silent Box – O plano de qualquer banda é sempre tentar fazer concertos. Agora, como isso está mais complicado, nós também queremos ir para estúdio e, como já se disse, tentar pôr um álbum cá fora. A Hold on, que é uma música mais comercial dentro do nosso registo, serve precisamente para trazer mais ouvintes. É acessível para qualquer pessoa, dá para passar na rádio, e tem uma mensagem que faz sentido nos dias de hoje, apesar de ter um tema mais dark. De resto, recomendamos a quem vá ouvir e ver o vídeo que tente relacionar aquilo que acontece visualmente com a letra com alguma atenção.

 ComUM – Para terminar, o que é que cada um de vocês faz fora da banda?

João Rangel – Dois de nós somos estudantes de engenharia informática. O Stifler, o nosso baixista, acabou agora o mestrado, e o Semanas está no mestrado. O Semanas II estuda Engenharia Física, o Oehen trabalha como um cão já há anos nos biscates todos. Eu estive a trabalhar como tech support para alimentar isto. O Sales é professor de Guitarra Clássica no Conservatório de Famalicão e na NuguelMusic, que sempre nos apoiou. No fundo, somos todos alunos do Sales. [risos]