Lançada a 2 de novembro de 1998 pela Island Records, The Best of 1980-1990 é a primeira compilação da banda irlandesa U2. O revolucionário grupo musical, que veio a tornar-se uma verdadeira inspiração, abrange neste álbum os êxitos de ouro das suas diversas fases. O projeto promete deixar um gosto de nostalgia e mostrar o rumo irreverente que a banda deseja seguir.

The Best of 1980-1990 é constituído por 14 faixas, sendo que cada uma acrescenta mais ao álbum do que a anterior. Contudo, alguns fãs acreditam que alguns dos maiores sucessos foram esquecidos, talvez por não terem reunido tanta atenção pelo público em geral. Hits como “Gloria“, “I Fall Down” ou “Seconds“, acabam por não fazer parte desta lista de músicas que, indubitavelmente, marcam uma geração que procurava para além de boa música, uma forma de criticar, subtilmente, todas as injustiças sociais que ocorriam na altura.

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O tema “Sunday Bloody Sunday” é o exemplo perfeito da vertente de intervenção política já característica do quarteto. A letra descreve o terror que se fez sentir no chamado “Domingo Sangrento”, em 1972, quando em Derry, na Irlanda do Norte, as tropas britânicas se impuseram, de forma violenta, contra os manifestantes dos direitos civis. (“I can’t believe the news today. I can’t close my eyes and make it go away. How long, how long must we sing this song”/ Broken bottles under children’s feet. Bodies strewn across the dead-end street.”).

Já o dueto “When Love Comes to Town” representa uma outra conquista para o grupo. A cumplicidade entre o Bono e a lenda dos blues, B.B. King, é completamente admirável e abre novos horizontes para ambos. Esta música combina a capacidade que o vocalista principal dos U2 tinha de escrever letras tão maturas para a sua tenra idade com a voz inesquecível de King.

Não há como não mencionar outra canção inédita que pertence a esta compilação: “Sweetest Thing”. A faixa que se insere num estilo mais pop e “soft”, até mesmo um pouco infantil, foi composta por Bono e é inspirada no sentimento que o cantor possui pela sua esposa. É verdade que não é das letras mais revolucionárias do grupo, porém tem o intuito de mostrar que a banda também consegue produzir sons simples, leves e alegres.

Passando para alguns singles mais conhecidos que desconfio que todos nós, independentemente, da idade ou estilo musical, conhecemos e apreciamos bastante. Tais como: “Pride (In the name of love)”, “With or Without You”, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “Where The Streets Have No Name”. A verdade é que se torna impossível não acompanhar estas músicas, graças as suas melodias cativantes e, principalmente, à panóplia de sentimentos que estas nos conseguem transmitir.

Desde o amor, à raiva a banda produz sons que realmente chegam até nós, sendo que este álbum não é exceção. De outra forma, não se teriam transformado num ícone do rock e do mundo da música. Por todas estas razões e muitas mais, os U2 unem várias gerações que não conseguem ficar indiferentes à sua essência. É, então, a escolha ideal para ouvir com a família durante este longo confinamento.