“Ganas”, realizada por Maria da Fonseca e Rafaela Gomes, está nomeada na categoria de Melhor Curta-Metragem Experimental.

Entre as 25 curtas-metragens nomeadas para os prémios Sophia Estudante 2021, atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema aos melhores filmes feitos em contexto escolar, está a curta-metragem Ganas. O anúncio foi feito a 9 de fevereiro nas redes sociais e os vencedores serão conhecidos no dia 19, numa sessão online.

Segundo a Academia Portuguesa de Cinema, a esta sétima edição foram submetidas 83 curtas-metragens de 20 escolas de todo o país, entre elas a Universidade do Minho. As produções nomeadas repartem-se nas categorias de Cartaz, Animação, Documentário, Ficção e Experimental. É nesta última que se enquadra o short film das recém-licenciadas em Ciências da Comunicação pela Academia Minhota.

Em entrevista ao ComUM, Maria e Rafaela revelam-se “muito contentes com este reconhecimento”, mas afirmam que o mais importante é o efeito que terá nos próximos alunos de Audiovisual e Multimédia. Rafaela admite sentir a existência de um certo “desacreditar nas produções audiovisuais” tanto quanto a existência de “falta de meios, principalmente a situação do Centro de Multimédia, que já há muito tempo é prometido”. Contudo, espera que esta nomeação possa “incentivar os próximos alunos a não pôr as desculpas nos meios ou até na condição pandémica, arranjando formas de reinventar e readaptar”.

Segundo as realizadoras, a dimensão conceptual de “Ganas” reflete a determinação e vontade de escapar de tudo o que nos prende. “Quase até ao último momento, o filme chamava-se ‘Redes’ e no fim decidimos que, na verdade, não era sobre estar preso, mas sobre sair e conseguir superar”, revela Maria. “Acho que no contexto em que acabamos por produzir esta curta-metragem, tornou-se cada vez mais claro que a gana era necessária e tinha de fazer parte da mensagem do filme e da forma como foi produzido”, conclui.

As ex-alunas falam, também, acerca de todo o processo de produção de Ganas. “Inicialmente, era suposto fazer dois projetos individuais. Eu já tinha a ideia de fazer algo mais experimental e a Rafaela tinha o conceito que acabamos por desenvolver”, confessa Maria. Além disso e como pode ler-se nos créditos da curta-metragem, Rafaela ficou responsável pelo conteúdo imagético, enquanto Maria se dedicou ao áudio.

“Tivemos de encurtar muito as rodagens. Tínhamos, inicialmente, cinco cenas planeadas e só fizemos três e, mesmo assim, foram editadas”, admite Maria. “Em termos sonoros, todo o filme é à base de testemunhos e eu não pude gravá-los. Cada um gravou em casa e enviou-nos, o que é uma grande limitação porque houve pessoas que conseguiram gravar com mais qualidade, outras nem tanto”, acrescenta. Apesar de todas as dificuldades, Maria e Rafaela admitem estar orgulhosas do resultado e agradecem o apoio do Departamento de Ciências da Comunicação e, em especial, dos professores, a quem atribuem o “mérito pelo projeto”.

No dia da atribuição dos prémios, a Academia Portuguesa de Cinema promoverá duas masterclasses sobre direção de arte, com a participação de Artur Pinheiro, que trabalhou em filmes como “Alice”, de Marco Martins, e Temple Clark, ligado a filmes como “Gravidade”, de Alfons Cuarón.